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Festival do Rio (10)/Friedkin Uncut, que c… é isso?

Luiz Carlos Merten

08 Novembro 2018 | 09h35

RIO – Larguei tudo ontem para ver o Friedkin Uncut, documentário que integra a seleção italiana do festival. O diretor é Francesco Zippel. Há outro documentário, também italiano, de Pappi Corsicato, que aqui está, sobre Julian Schnabel, A Private Portrait, Um Retrato Íntimo. Gostei muito do Schnabel, mas o Friedkin é outro compartimento. Amo esse cara que tive o privilégio de entrevistar certa vez, deve ter sido nos 30 anos de Operação França, quando eu viajava bastante para os EUA para fazer entrevistas. De cara, ‘Billy’, como todos o chamam, diz que Hitler e Cristo são as figuras mais importantes da história. Explica que não tem admiração nenhuma por Adolfo, mas que todos nós somos um campo de batalha entre bem e mal. William Friedkin é entrevistado em casa. Mostra suas coleção de arte – gravuras japonesas, um Corot, estatuária africana. Willem Dafoe conta histórias ótimas sobre a rodagem de Viver e Morrer em Los Angeles. Friedkin sempre foi meio louco. Dirigiu a cena da perseguição de carros de Operação França na marra, sem procedimento de segurança nenhum, e até hoje se admira que ninguém tenha saído ferido. Em Viver e Morrer tem a cena da fabricação de dinheiro falso. Friedkin contactou e contratou gente que fazia isso profissionalmente. Parte do dinheiro falso fabricado para o filme desapareceu. Poderia ter sido todo o mundo preso. Mas a história ótima de Dafoe é a seguinte. Ele peita um sujeito, que rende, no filme. Com o cara caído no chão e a arma na mão, ele pergunta – ‘O que é isso?’ E dispara. Na hora, teve o insight e improvisou – ‘Que cu é esse?’ Era uma das principais peças da coleção africana de Friedkin, que ele tratou como lixo. E o Dafoe morre de rir. Coppola, Philip Kaufman, Damien Chazelle, Dario Argento, Quentin Tarantino, todos dizem que ele é um dos grandes e inovou ao incorporar técnicas de documentário a suas ficções. Sempre gostei muito de Friedkin. Foi belo vê-lo, no filme, ser homenageado em Veneza, Berlim, Sitges, Roma. Adorei ter visto do documrentário de Zippel.