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Festival do Rio (1)/Meninas no skate

Luiz Carlos Merten

03 Novembro 2018 | 09h36

RIO – Cá estou para mais um festival – menos um, como diria Mário Peixoto. Revi As Viúvas na noite de quinta, assisti ontem pela manhã a Skate Kitchen, de Crystal Moselle, sobre uma garota de New Jersey no universo masculino do skate de Nova York. Crystal está vindo ao Brasil, Rodrigo Teixeira produz. Esse cara é f… Achei muito engraçado quando, no fim, perguntaram a um garoto que não conheço – algum geniozinho da internet, e não vai nenhuma conotação pejorativa nisso – o que ele tinha achado e o moleque cravou, Rápido e rasteiro. O carinha ainda nem saiu dos cueiros e já quer profundidade. Eu confesso que gostei e até me emocionei com certos conceitos de família e solidão ao longo do filme. A protagonista integra-se a um grupo de garotas, pisa na bola com uma delas e ela lhe joga na cara – ‘Amigas não traem.’ Em outro momento, ela, que foi criada pelo pai e agora estava vivendo com a mãe, fala da solidão que é possível experimentar mesmo no meio de um monte de gente barulhenta. Quem nunca vivenciou isso? Bem interessante. Depois das viúvas poderosas de Steve McQueen – a melhor cena, para mim, é a troca de bofetadas entre Viola Davis e Elizabeth Debicki -, foi estimulante ver a fragilidade das garotas que querem ser poderosas no mundo do skate. Elas, ou ela, a protagonista, trombam no paredão representado pela escrotidão dos garotos, mas também existem fissuras nesse mundo aparentemente fechado (deles). À noite, jantei com Kika Freire, que me deu a grande nova sobre a peça de Dib Carneiro, Pulsões, que será… filmada! Não sei se estou sendo indiscreto, colocando o carro na frente dos bois, mas é porque fiquei feliz. De verdade! Estou indo ver daqui a pouco Sueño Florianópolis numa cabine e, à tarde, quero ver se desencanto o Torre das Donzelas, viu diretora? O festival engatinha Tem muito chão pela frente até dia 11, mas o Rio é sempre um local de encontros. Encontrei ontem Ivana Bentes, a quem não via há tempos e ela me exortou a ver, aí em São Paulo, a exposição de Arthur Omar. Ainda estará, quando voltar. Verei.