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Fellini, ainda o centenário

Luiz Carlos Merten

12 de março de 2020 | 12h41

Começou em fevereiro, quando estava fora, no CCBB de São Paulo, a retrospectiva em comemoração aos 100 anos de nascimento de Federico Fellini. A partir desta quinta, 12, o Cinesesc também apresenta uma seleção das obras do ‘Maestro’. Começa às 2 da tarde com A Voz da Lua, e eu até estou pensando em rever, pois se trata de um Fellini pelo qual nunca tive muito apreço. Quem sabe agora o (re)descubro? O importante é que, ao pesquisar sobre a programação do CCBB, para ver se já havia terminado, descobri que, justamente nesta quinta,às 7 da noite, após Entrevista, haverá um debaste com Neusa Barbosa e Felipe Furtado. Gosto pontualmente dos filmes de Fellini, mas nunca tive por ele a mesma admiração que por outros grandes italianos – Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, Roberto Rossellini, Francesco Rosi. Às vezes, tenho a impressão de que gosto mesmo é do primeiro Fellini (solo), Abismo de Um Sonho/Lo Sceicco Bianco, de 1952, que não revejo há tempos – quem sabe agora? -, mas faz parte do meu imaginário. O casal de caipiras em Roma, Brunella Bovo que deixa o marido para ir em busca do Xeque Branco da sua fotonovela favorita, a decepção que representa para ela o encontro com Alberto Sordi. E o tormento de Leopoldo Trieste, na noite romana, seu encontro – regenerador – com aquela pequena e dócil prostituta, Cabíria, interpretada pela mulher de Fellini, Giulietta Masina, e a quem ele dedicou depois um filme inteiro, As Noites de Cabíria, de 1957. Como todo mundo, gosto de A Doce Vida e Oito e Meio, mas o egocentrismo e a pulverização da estrutura dramática, com os relatos episódicos que se seguem, me deixam mais desconcertado que fascinado. Gosto da mentira, de E la Navbe Va mais que de Amarcord e do movimento que consiste em revelar a falsidade daquele mar, e daquele navio. Em todo o mundo, o centenário de Fellini tem sido lembrado com mostras que estão pedindo o revisionismo crítico da obra do mestre. Berlim exibiu a versão restaurada de A Trapaça e, em Paris, o Le Champô está reprisando cópias restauradas de Os Boas Vidas e As Noites de Cabíria, anunciando Abismo de Um Sonho se não me engano para dia 18. Na Sight and Sound de fevereiro, sob a rubrica The Circus of Life/The Many Faces of Federico Fellini, seis páginas dissecam Fellini The Neorealist, The Fellinesque, Federico by Fellini (He was his most enduring charachter) e La Famiglia Fellini, o círculo de colaboradores fieis. Uma frase pertinente, por Philip Kemp, “Se o circo quase sempre dá a impressão de ser a religião de Fellini, a religião com frequência é satirizada e tratada como um grande circo.”

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