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Feliz Natal, mas antes uma outra história da Lava-Jato

Luiz Carlos Merten

24 Dezembro 2016 | 20h33

PORTO ALEGRE – Cá estou, desde quarta à tarde, nesta cidade em que as temperaturas beiram 40 graus. Calor do cão! Mas o tempo anda muito muito mais quente no Centro, com confrontos diários entre polícia e manifestantes. A Assembleia vota pacote do governador do Estado para modernizar a máquina administrativa. Sartori está acabando com todas as fundações, incluindo a TVE, a de Economia e Estatística e a de Zoobotânica. Dos escombros, vai nascer um Rio Grande moderno. ZH está a favor, o que já dá um bom motivo para começar sendo contra. No governo federal, o discurso da modernidade tem o mesmo tom, e passa pela necessidade de desmantelamento da legislação trabalhista, considerada um anacronismo nesses tempos de economia neoliberal. Muita cara de pau defender que abrir mão de direitos assegurados é a melhor solução, como o Skaf, da Fiesp, disse no outro dia na TV. Esse Skaf é o ó. Do meu ponto de vista, e reconheço que pode ser esdrúxulo, a única coisa decente que ele fez (na vida!) foi produzir o Peer Gynt de Gabriel Villela, e assim mesmo compartilhando o palco do teatro com aquele (pobre) Shakespare de Jô Soares, em que Adriana Galisteu saltita feito gazela como ‘a beleza’. Confesso que não via – nunca vi! – o Programa do Jô, mas me deu outro dia um pensamento que não sei se vocês vão achar correto. Sem a obrigação do programa, ele vai ter mais tempo livre para dirigir, e escrever. Socorro! Volto ao pensamento ‘moderno’. Os sindicatos devem barganhar livremente, como se fosse uma negociação de igual para igual, entre patrões e empregados. Aqui, ó. todos temos idade, até os bem jovens, para saber de que lado a corda rebenta. Mas, enfim, tudo o que foi feito no Brasil, nos últimos anos, foi para se chegar ao estágio atual. É a minha tergiversada natalina. Vi só um filme aqui em Porto, e foi o Sing, bem divertido. Volto amanhã no começo da noite para São Paulo. Espero ter tempo de (re)ver, no domingo à tarde, Rogue One, que a Lúcia ainda não viu e quer minha companhia. Tenho lido – Paulo Moreira Leite, A Outra História da Lava-Jato, ou como uma investigação necessária se transformou numa operação contra a democracia no Brasil. Naturalmente que aquele povo que foi bater panela na Paulista ou se fantasia de Sergio Moro não vai concordar com isso, mas seria bem interessante se pelo menos lessem o livro do Paulo, que também já contou outra história do Mensalão. Só como curiosidade, fui procurar o que havia no cinema italiano sobre a operação Mani Puliti, que serviu de modelo para o juiz Moro. Encontrei a série 1992, criada por Stefano Accorsi em 2015, e pensei comigo que sou muito mais o astro italiano. 1992 teve críticas muito positivas na Itália. Foi comparada a House of Cards, The Sopranos e West Wing. Não creio que tenha passado no Brasil, porque meus amigos que veem séries nunca comentaram nada, mas seria bem oportuno porque, da política de terra arrasada das Mãos Limpas italiana, saiu… a consolidação do poder de Berlusconi! O cara nunca foi nenhum modelo de retidão, pelo contrário, mas era dono do monopólio das emissoras de TV e foi o que lhe abriu caminho paravirar primeiro ministro em sucessivos mandatos adubados na m… do escândalo. Por falar em séries, embora o assunto aqui não seja exatamente a série 1992, encontrei em ZH uma informação bem intrigante. Walking Dead ainda é a série mais vista no Brasil, segundo o Ibope, contrariando números do exterior. Em segundo vem 1 Contra Todos, a série de Breno Silveira, na Fox, com Júlio Andrade e a grande surpresa, já que todo mundo me bombardeia com Game of Thrones – e eu tenho aquela coleção das Crônicas de Gelo e Fogo, que não consigo ler, porque acho os livros chatíssimos -, é que a tal série que seria ‘best ever’, a melhor de todas, a mais vista, a mais isso e aquilo, simplesmente não está na listagem do Ibope, segundo ZH. Até onde sei, ela está sendo reprisada – a nova temporada estreia só em meados do ano que vem -, o que explicaria a ausência, mas de qualquer maneira, face aos números e considerando-se que as reprises estão sempre no ar, por que se perde tanto tempo falando de Game of Thrones? Para manter a série da HBO na mídia? Chega – de conversa. Estou saindo para a ceia de Natal na casa da Dora, irmã da minha ex, Doris. Vamos comemorar juntos, em família, tudo muito civilizado. Feliz Natal para vocês.