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Feliz Dia dos Pais!

Luiz Carlos Merten

12 de agosto de 2012 | 10h26

Bom-dia! Cá estou na redação do ‘Estado’ e, antes de redigir os Filmes na TV de amanhã, permitam-me divagar. Feliz Dia dos Pais! É curioso, mas não existem muitos grandes filmes sobre pais, ao contrário de mães. Do clássico ‘Mãe’, de V.I. Pudovkine, ao não menos clássico melodrama ‘Mãe Redentora’, Stella Dallas, de King Vidor, existem filme sobre mães para todos os gostos. Mas pais… O pai é o grande ausente no cinema de Luchino Visconti, por exemplo. Rosario Parondi, a grande Katina Paxinou, já é viúva quando chega a Milão com os cinco filhos, na abertura de ‘Rocco’. Sandra, a Electra de ‘Vagas Estrelas da Ursa’, quer vingar o pai. ‘Ludwig’ abre-se com a coroação do novo rei, o que significa que ele está sucedendo o pai. O Professor, Burt Lancaster, não tem descendência em ‘Violência e Paixão’ e Giancarlo Giannini mata o próprio filho em ‘O Inocente’. O príncxipe Salinas, de ‘O Leopardo’, sim, tem filhos (muitos), mas ele só é ‘pai’ do sobrinho, Tancredi. O cinema contou muitas histórias de pais substitutos – no western, por exemplo. O tema do aprendizado é recorrente no gênero. Jovens tornam-se aprendizes de pistoleiros veteranos. O Joey de ‘Os Brutos Também Amam’, fica dividido entre o pai e o pistoleiro, Shane, que dispara o revólver como um trovão no imaginário do menino, no clássico de George Stevens. No final, será a perda de Shane, quando ele parte sem olhar para trás, que vai marcar Joey e o levará ao rito de passagem para a vida adulta. Se vasculhar na memória, vou encontrar grandes filmes sobre pais, e vocês poderão me ajudar nesta busca. ‘Ladrões de Bicicletas’ – mas no clássico neorrealista de Vittorio De Sica, o menino, Enzo Staiola, é mais forte e, no desfecho, é o seu olhar e o apoio que ele dá ao pai derrotado, Lamberto Maggiorani, que faz a beleza e tragicidade do filme. Curiosamente, o cinema brasileiro tem dado mais atenção ao tema, desde a interpretação psicanalítica da brasilidade – a morte do presidente, como pai do povo, em ‘Getúlio Vargas – Trabalhadores do Brasil’, de Ana Carolina – até os filmes de Walter Salles e Breno Silveira. Josué busca o pai em ‘Central do Brasil’ e Sal Paradise cai no mundo após a morte do pai dele em ‘Na Estrada’. Ângelo Antônio tenta realizar um sonho em ‘2 Filhos de Francisco’. O caminhoneiro João Miguel, sem rumo na vida, transforma-se em contato com o menino, o genial Vinicius Nascimento, em ‘À Beira do Caminho’ (e com música do Rei!). Breno estava com o coração partido. Havia perdido a mulher na fase de montagem de ‘À Beira do Caminho’, e o filme é sobre perda e reconstrução. Breno Silveira estreia ainda este ano ‘Gonzaga’, que não é bem uma biografia de Luiz Gonzaga, o sanfoneiro do Brasil – no ano de seu centenário –, mas outra história de pai e filho, a complicada relação de Gonzaga e Gonzaguinha. ‘À Beira do Caminho’ é emocionante até (quase) o sentimentalismo. E é um belo filme. Neste dia, não encontro maneira mais apropriada de desejar feliz Dias dos Pais. Vão ver ‘À Beira do Caminho’. Lavar a alma faz bem. E, brincando, brincando, a família que chora unida permanece unida.

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