As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fazendo hora…

Luiz Carlos Merten

28 Março 2017 | 10h10

RIO – Estou aqui no hotel, postando. Está chovendo (leve), mas não dá para ficar batendo perna, mesmo com essa convidativa paisagem carioca. Estou fazendo hora para minha individual com Octavia Spencer, daqui a pouco. Ela é ótima, mas a coletiva, ontem, foi de doer. Ficou só em cima de A Cabana e do papel dela como Papai (Deus) no filme adaptado do best seller de William P. Young. O livro está em todas as livrarias de aeroportos, e isso deve ter ajudado a vender como água. É curioso. Via aquela capa, a cabana aos pedaços, alguma frase relativa a revelação e achava que era coisa de terror. Não deixa de ser, apesar das mensagens de amor, esperança. De cura. Nosso lar, versão Hollywood. O paraíso é um luxo. O jardim do Éden poderia ter saído de um filme de Vincente Minnelli – Brigadoon, A Lenda dos Beijos Perdidos. Aquela cidade perdida da Escócia que aparece um dia a cada século e que também não deixa de ser uma revelação para Gene Kelly e Van Johnson. (Van Johnson! Jesus! Eliana Souza, pauteira do Caderno 2, vive me cobrando uma lista de piores atores para o online. Van Johnson talvez não fosse exatamente um dos piores, mas um dos mais sem graça, com certeza.) Fiz uma pesquisa sobre Octavia. Embora seu estouro seja coisa recente, a partir da chuva de prêmios (Oscar, Globo de Ouro, Bafta) por Histórias Cruzadas, de 2011, ela já tem estrada e está no cinema desde um John Grisham de 1996, por Joel Schumacher – Tempo de Matar. Já que estou jogando conversa fora, enquanto faço tempo… A revista norte-americana Empire tem algumas seções bem interessantes. Aproveitando lançamentos em DVD e Blu-ray, conta a história de ‘shots’ famosos. No número que chegou ao Brasil, a história é a do famoso plano final de O Planetas dos Macacos, o original de Franklin J. Schaffner, dos anos 1960. Charlton Heston, em fuga, a cavalo, descobre, semi-enterrada na areia, a Estátua da Liberdade. A cena foi rodada no dia 3 de agosto de 1967 – há quase 50 anos. O diretor de arte William Crebber construiu a gigantesca cabeça, maior que a original, para realçar o efeito dramático. O diretor Leon Shamroy sofria de vertigem, achou muito alta e se recusou a subir para captar o plongê de Heston, lá embaixo. O diretor Schaffner deu o ultimato a Crebber. “Você construiu, você filma.” Ele terminou operando a câmera, pendurado lá em cima. No texto escrito, o astronauta, Taylor, devia dizer apenas – ‘My God, Meu Deus.” Mas Heston achou que era pouco e injetou mais raiva – ‘God damn you…”, repetindo a fala famosa de Rhett Butler no desfecho de …E o Vento Levou. O estúdio ficou preocupado, mas, nos anos 1960, o código (de censura) de Hollywood estava mudando. A cena passou e faz parte do mito do filme. Outra revelação de Empire, literalmente ‘a’ revelação. O final de Crying Game/Traídos pelo Desejo, de Neril Jordan, a identidade do ambíguo personagem (ou da ambígua personagem) de Jaye Davidson. O filme virou um clássico LGBTQ. O ano era 1993, havia preocupação se o público estava preparado para aquela questão de gênero. Jordan escreveu e filmou um desfecho alternativo, que está entre os extras do DVD e do Blu-ray, lançados no último dia 20 de fevereiro nos EUA. Confesso que fiquei curioso. Qual poderia ser o outro final para Traídos pelo Desejo?