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Familiar, sim

Luiz Carlos Merten

07 de junho de 2013 | 09h24

Vivo dizendo que não gosto de musicais, mas é preciso colocar a afirmação em perspectiva. Prefiro, enquanto cinema de gênero, o western (um milhão de vezes) e o noir, mas acho interessante como o cinema do Oeste e o cantado e dançado se valem dos planos gerais e médios para celebrar a paisagem (o primeiro) e o corpo (o segundo). Seria capaz de enumerar um punhado de musicais que, como dizem os franceses, me tiennent au coeur. Cantando na Chuva e Sete Noivas para Sete Irmãos, Agora Seremos Felizes e Sinfonia de Paris, My Fair Lady. Puta filmes, aos quais acrescento Les Miserables. Acabo de receber o DVD do musical de Tom Hooper. Veio com o blu-ray de Em Nome do Pai, um bom Jim Sheridan com Daniel Day-Lewis. Pode ser implicância minha, mas Day-Lewis fez história como o único ator a receber três vezes o Oscar. Acho-o ótimo, mas, se dependesse de mim, ele teria o primeiro – e olhe lá – por outro Jim Sheridan, Meu Pé Esquerdo. Por mais que goste do Lincoln de Steven Spielberg, ele teria saído completamente derrotado da última premiação da Academia, sem sequer o Oscar de ator para Day-Lewis, que teria dado para Hugh Jackman e agora, revendo as cenas da Comuna de Paris – não resisti e botei logo o disco para rodar -, fiquei (como direi?) em estado de exaltação. A propósito, citei ontem quatro grandes filmes, os melhores do ano, até agora. Shyamalan (sim), o Assayas, Depois de Maio, que revi ontem (e teve gente que saiu no meio!), mais os nacionais do Kleber Mendonça Filho e do René Sampaio. A eles acrescento Les Miserables. Um musical! Conversei ontem com Inácio Araújo antes da sessão de Tese sobre (ou para) Um Homicídio. Tomamos um café, o assunto caiu em Faroeste Caboclo, que ele gostou, mas não tanto. Eu, como um velho tarado, falei nas cenas de cena. Inácio achou-as meia-boca. Como? Mas lhe dei razão. De maneira geral, os diretores não sabem mais filmar cenas de sexo. A exceção – David Cronenberg. A cena em que Viggo Mortensen come Maria Bello na escada em Marcas da Violência e o orgasmo de Juliette Binoche na limosine, cavalgando sobre Robert Pattinson em Cosmópolis, hu-hu! Cronenberg não é mole, não. E mais não digo porque esse é um blog familiar.

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