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Ex-amor, aproveitando o samba, antes de virar gospel

Luiz Carlos Merten

15 Outubro 2018 | 00h10

Cheguei no sábado à noite. Contei para minha colega e pauteira Eliana Souza e ela achou muito engraçado. Estava no Rio, no mês passado, e vi que havia uma roda de samba na Alcindo Guanabara, na Cinelândia. É a rua que passa entre a Câmara Municipal e o Amarelinho. Passei lá no sábado, por volta do meio-dia, e me informaram que haveria a roda de samba, à tarde. Todo segundo sábado do mês. Haverá em novembro, em pleno Festival do Rio – espero. O espaço é democrático – poderia ser a última, informou a nossa puxadora de samba. Talvez o espaço vire gospel, nesse novo Brasil que está pintando, sob Bolsonaro. A Record será a nova porta-voz oficial da Presidência da República? Perdi meu voo, e tive de remarcar a volta, mas não ia perder aquela celebração. Foi o que fez a Eliana rir. Ex-amor/gostaria que tu soubesses… Engrossei o coro, cantando. No Estado, leio que Fernando Henrique, apesar de todas as diferenças, admite que não há possibilidade alguma de diálogo com o coiso. Já com (Fernando) Haddad… Carta Capital desta semana tem vários textos/análises bem interessantes. O Nordeste diz #EleNão e garante o segundo turno. São Paulo, a locomotiva do Brasil, conseguiu eleger a escória do pensamento nacional, Alexandre Frota à frente. Como provável ministro da Cultura, se Bolsonaro, eleito, não extinguir a pasta, pela qual não tem apreço, o que o picão vai fazer? Elevar o pornô à categoria de arte? Em um texto intitulado A Estupidez Vem de Cima, Nirlando Beirão assinala que, ainda que as massas se deixem levar, os surtos de burrice coletiva começam nas elites privilegiadas e nos donos do poder. Confesso que não conhecia a historiadora Barbara Tuchman, que cunhou a expressão ‘marcha da insensatez’. A reportagem apresenta imagens impressionantes dessa verdadeira cruzada – os verde-amarelinhos, integrantes da elite, que vestem a camiseta ‘Meu partido é o Brasil.’ Até parece. Lá vou eu fazer inimigos. A primeira foto é de um casal urrando de felicidade. Madame, com todo respeito pelas transformistas, parece a reencarnação de Rogéria. Como seu candidato é homofóbico, e seu vice é contra negros, índios e nordestinos, o que ocorreria com madame, nesse provável governo que ela apoia? Ia se danar, com certeza. Bolsonaro se elege no bojo do antipetismo, mas o partido resiste, sobrevive. Já o PSDB… E o Dória? Traiu Alckmin e levou o pé. Haveria muito que rir, se o momento não fosse grave, trágico.