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ETV (2)/O canto falado do Rumo e o céu de estrelas da Serra da Capivara

Luiz Carlos Merten

06 de abril de 2019 | 00h09

Tenho corrido para terminar minhas coisas cedo no jornal, de forma a poder assistir aos lançamentos da competição brasileira do É Tudo Verdade. Vi ontem, na sessão das 18h30, já que havia combinado de jantar com Regina Cavalcanti no Duas Teresas, Niède, de Tiago Tambelli. E hoje, Rumo, de Flávio Frederico e Mariana Pamplona, sobre o grupo paulistano que fez história na MPB com seu canto falado. Começo pelo Rumo. Dib Carneiro sempre me perguntava por onde havia andado, dado meu desconhecimento do rock brasileiro. Não sei, sinceramente, se o que eles faziam em termos de composição e arranjo podia ser classificado como rock, mas achei fascinante a recriação interpretativa dos clássicos de Noel, Adoniram e outros grandes. Sabia da existência de Ná Ozetti, mas era uma entidade, que não estava ligada a grupo nenhum em meu imaginário. Do Rumo não tinha noção, nem sei se eram conhecidos no Sul. Mas do filme gostei, justamente porque os diretores contam essa história com recursos pouco comuns em documentários – animação, humor. Diverti-me, e quanto ao canto falado, à coloquialidade com que a letra é dita, ou recitada com música,. me remeteu a uma fala de Caetano Veloso sobre Dorival Caymmi no filme de Daniela Broitman que também está no ETV. Passa na terça – Um Homem de Afetos. Gostei mais de Rumo que de Niède, que me pareceu excessivo com suas quase duas horas e meia. De cara, comecei gostando, aquele céu de estrelas que me lembrou A Nostalgia da Luz, o deserto de Patricio Guzmán. Meu desejo, terminado o filme, era correr à Serra da Capivara, o sítio que Niède ajudou a salvar e hoje preserva, no Piauí, para ver se aquela dimensão meio mística é coisa do filme, com seu belo desenho de som e belíssimas imagens, ou se é real, coisa do próprio lugar. Já a atividade de arqueóloga de Niède Guidon e suas descobertas sobre a arte rupestre brasileira e a cultura que a produziu, tudo aquilo que deveria ser o centro do filme, me pareceu estirado. O filme termina umas quantas vezes, e recomeça outras tantas. Repete-se, ou assim me pareceu. Mas a Serra da Capivara…. Quero ir! Dei-me conta de que Piauí é um dos raros estados que desconheço desse Brasil imenso. Taí uma lacuna que gostaria de preencher.