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Eterno ‘Retorno’

Luiz Carlos Merten

19 Setembro 2013 | 10h19

Minha filha viaja hoje à noite para a Europa. Paris e, depois, Barcelona. Eu entro na semana que vem na loucura do Festival do Rio, que se encerra dia 10, com a premiação, mas para mim vai terminar antes, dia 9. Neste dia, será a première mundial de Serra Pelada e eu estou nos cascos para ver o que Heitor Dhalia conseguiu com uma história tão grande e forte. Dia 10, estarei viajando para Londres, para a junket de Captain Phillips, que vai ficar comprimida entre o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo. Em Cancun, houve uma coletiva, por Skype, com Tom Hanks e o diretor Paul Greengrass, mas em Londres vai ser possível falar com os dois e o filme promete. Se não fosse a Mostra, não sei se vou conseguir, gostaria de dar uma escapada em Paris, duas ou três noites que fosse, para comprar livros e revistas, mas principalmente para andar no Sena,  com o ventinho do começo de outono na cara. Divago, e não tenho dado muitas notícias. A visita ao set de Trash foi muito interessante, o encontro com Martin Sheen e Rooney Mara, e ele, que faz o Pastor Juillard na adaptação do livro de Andy Mulligan – o próprio autor estava no set -, foi muito legal. Sheen fez todos aqueles filmes emblemáticos de Coppola, Terrence Malick e Oliver Stone, embora eu, particularmente, não o esqueça como o soldado Slovik, o único executado por uma corte marcial do Exército dos EUA, durante a 2.ª Guerra. Sheen foi o presidente dos EUA na série The West Ring e, ao tratá-lo como Mr. President, consegui dele, na ficção, o que a presidente Dilma ainda não conseguiu na realidade – um pedido de desculpas de Barack Obama, pelo episódio de espionagem do Planalto. A matéria saiu no Caderno 2 de ontem, mas quero enfatizar aqui o que espero que já tenha ficado claro no texto. Adorei o encontro com, Sheen, com Rooney e com Stephen Daldry (mais um), mas o mais impressionante foi o próprio set, o lixão cenográfico que Tulé Peake construiu na Zona Leste do Rio, distante uma hora e pouco da Cinelândia. Não só o lixão, mas também uma palafita, que o obrigou a criar um lago artificial. Andamos – éramos um grupo de três – naqueles casebres e passarelas precárias que serão incendiados no fim de semana de 27 e 28, por exigência dramática da ação. Todo mundo reclamava do lixão da Globo em Avenida Brasil, que não tinha urubus. O lixo cenográfico de Trash é tratado e Tulé duas vezes ao dias lança carniça entre os (falsos) detritos, para atrair os urubus. Eles chegam, comem, ciscam um pouco e ao perceber o engodo – não é lixo podre de verdade -, batem asas e voam. Sensacional! Imagino que exista um site da filmagem, como sempre nas produções da O2. Procurem, porque valerá a pena. Dias antes da tal visitas, estava zapeando na TV e passava Cidade de Deus. Entrei naquela de ‘vou olhar um pouquinho’, e quem diz que consegui desgrudar o olho? A direção de arte de Tulé Peake não é, e não é mesmo, a menor das qualidades do filme de Fernando Meirelles. Dez anos tornaram obsoleta a discussão sobre estética versus cosmética da fome. Cosmética no c…, só se for. Mas quero dizer que revi também, no domingo, O Retorno do Rei. Aquilo não é um filme – é um monumento. Nem me arrisco a dizer que vou ver só um pouco. Já faço minhas contas, porque sei que aquelas três horas vão passar sem que arrede pé. É o filme que tem mais batalhas da série. Vejo-as sempre como se fosse a primeira vez. E quando Arwen, Liv Tyler, sai de trás daquele estandarte no final, além da semelhança dela com a Lúcia, minha filha, penso sempre a mesma coisa – é por momentos assim que amo o cinema.