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Êta, êta, êta etá!

Luiz Carlos Merten

16 de julho de 2013 | 15h30

Desde que revi parte de Tieta do Agreste, de Cacá Diegues, na TV paga, o tema de Caetano Veloso tem ficado comigo. Não havia gostado tanto do filme e achava que a novela era insuperável, mas gostei de rever o filme com Sônia Braga e sua meia-hora final me tocou bastante. Tieta… Sebastião Vasconcelos fez filmes como O Quinto Poder, de Alberto Pieralisi, Índia, a Filha do Sol, de Fábio Barreto, e Inocência, de Walter Lima Jr. Mas não é pelo cinema que ele faz parte do meu imaginário, e sim por outra modalidade do audiovisual. Sebastião fez muitas novelas. Para mim, será sempre o pai de – justamente – Tieta na novela que Aguinaldo Silva adaptou do romance de Jorge Amado, com Betty Faria no papel-título. Às vezes me pego pensando em Sebastião Vasconcelos e na morte do pai de Tieta nas dunas. Não sei mais se a cena existiu, ou se atingiu essa dimensão na minha lembrança, mas a forma como ele desaparece na areia era uma coisa, assim, de realismo fantástico, à maneira de Gabriel García Márquez e seu Cem Anos de Solidão. Não quero ser melodramático nem criar frases de efeito, mas Sebastião, que morreu aos 86 anos, teve a mais gloriosa das mortes na ficção de TV do País. Espero que a da realidade (a morte) lhe tenha sido leve.

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