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Estou chegando no 100!

Luiz Carlos Merten

05 de setembro de 2020 | 10h33

Quase três semanas sem postar. Nunca fiquei tanto tempo longe do blog, nem em períodos de férias. A experiência de isolamento tem sido muito interessante para mim. Sempre fui tão rueiro. Minha ex-sogra, mãe da Lúcia, quando percebia minha agitação interior, dizia, com uma compreensão imensa – ‘Não está na hora de cumprir teu fado?’ E lá ia eu para a rua. Sempre gostei desses momentos comigo mesmo, e agora os tenho de forma quase contínua. Depois de Berlim, fiquei aqueles dias em Paris e logo que cheguei, em março, já vim para o home office. Por ser grupo de risco – dentro de uma semana, dia 12, completo 75 anos, 75! -, o jornal me colocou de quarentena. No começo, pensei que não ia me adaptar, mas criei uma rotina que funciona admiravelmente. Tenho hora para tudo. Meu editor ajudou. Ubiratan Brasil me propôs a série de clássicos do dia, na qual mergulhei como diversão, mas que passou a fazer parte do meu cotidiano. Bira chegou a arranjar uma editora para publicar a série em livro. Perdi a conta – ele achava que tínhamos uns 50 títulos. Estávamos batendo nos 100. O centésimo será essa encomenda que fiz para mim mesmo – Charles Chaplin, Em Busca do Ouro. E depois 101, 102, 103… Meu novo normal inclui ver filmes no vimeo. Eu, que sempre recusei os links, agora tenho de aceitá-los. Assisti nesta semana ao belo Narciso em Férias, para entrevistar Caetano e os diretores Renato Terra e Ricardo Calil. Na segunda, às 2 da tarde em Veneza, 9 da manhã no Brasil, o longa terá sua apresentação especial, fora de concurso, no Lido. À tarde já estará fisponível no GloboPlay. Excepcionalmente, fui ao Estúdio Árvore, aqui mesmo em Pinheiros, para ver o curta A Linha, um experimento em VR, realidade virtual, que colocou o Brasil na dianteira desses experimentos em todo o mundo. Quando estava vendo o filme de Ricardo Laganaro chegou o e-mail com a confirmação de que ele havia ganhado o Primetime Emmy Award, na categoria Outstanding innovation in Interative Media. O Emmy será entregue dia 20, mas essa categoria tem um júri especial e a premiação ocorre à parte, como certas categorias técnicas do Oscar. Daqui a pouco chega o Carlos, para a físio. Apesar da qualidade do ar, está um lindo dia de sol. Pensei em sair, mas ir aonde, fazer o quê? Lúcia e Fabí alugaram uma casa num condomínio e desceram para o litoral. Meu relógio interior diz que já estou atrasado para ler a CartaCapital. A Justiça e a polícia viram armas no confronto de vida e morte entre Witzel e o clã Bolsonaro. Pedro Serrano disserta sobre o autoritarimo líquido, que mistura medidas de exceção no interior da democracia. Agora sou eu – diariamente vemos o procurador Augusto Aras tomando atitudes que, francamente, só confirmam a que ele veio. Serrano, de novo – ‘As crises são provocadas exclusivamente pela disputa de poder entre as facções do bolsonarismo. E a oposição – catatônica!’ É o horror, o horror. Mas a vida segue e a vacina do Putín, a Sputnik, na qual ninguém botava fé, agora parece estar ganhando credibilidade. Até nisso existe uma disputa ideológica – Trump vs. os chineses e Putin correndo por fora, na tentativa de recuperar o papel da Rússia no mundo.