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Estava escrito nas estrelas (para Jack, com admiração)

Luiz Carlos Merten

22 Abril 2017 | 11h01

Sua infância e juventude dariam romance, quem sabe novela. John Joseph Nicholson era filho de pai bígamo e, para não prejudicar a carreira da filha, que queria ser dançarina, seus avós o criaram como pais. A mãe, para ele, era irmãs mais velha. Foi assim até que ele ficou adulto. Contei para o Dib e ele me citou sei lá que novela, acho que Cambalacho, em que Lucélia Santos era filha de Aracy Balabanian, para todos efeitos, sua irmã mais velha. John Joseph ficou mundialmente conhecido como Jack – Nicholson. Neste sábado, 22, ele completa 80 anos. Fiz uma galeria para o Portal, um destaque de filmes na TV, aproveitando que a TV paga (TCM) exibe em sequência, a partir das 15h05, Batman, Questão de Honra e Melhor É Impossível. Batman foi o negócio da China da vida de Jack. Sei lá por quê – foi o primeirão dos grandes filmes sobre super-heróis, talvez estivesse muito caro -, mas o estúdio, a Warner, não devia estar acreditando muito no projeto de Tim Burton. Ou então foi Jack o esperto, prevendo o estouro. Ao invés de salário, ele recebeu participação nos lucros. Ganhou a fábula de US$ 53 milhões só por aquele filme, o suficiente para passar o resto da vida na primeira fila do Oscar, rindo, como faz todo ano, das piadas dos apresentadores do prêmio da Academia. E pensar que tudo isso precisou de uma ajudinha. Estava escrito nas estrelas… Em 1969, Jack Nicholson estava com 32 anos e já tinha 11 de carreira em Hollywood, na usina de Roger Corman. Era ator secundário, eventualmente roteirista. Escreveu The Trip, Viagem ao Mundo da Alucinação, sobre os delírios que o ácido (LSD) provoca num carinha. Peter Fonda era quem fazia o papel, Dennis Hopper estava no elenco. Naquele ano, Fonda e Hopper uniram-se para fazer um filme que virou marco da contracultura – Sem Destino. Easy Rider. A filmagem começando e eles se desentenderam com o ator que faria um personagem pivotal. O encontro da geração do álcool com a das drogas. Chama o Jack! Suas cenas de bêbado, com ecos do outro outro Jack, o Kerouac, na estrada, fizeram sensação. Logo em seguida vieram Cada Um Vive como Quer, A Última Missão, Chinatown, Um Estranho no Ninho – o primeiro Oscar. Jack Nicholson teve 12 indicações e ganhou três vezes o Oscar. Depois desse primeiro vieram mais dois – coadjuvante, por Laços de Ternura, melhor ator, por Melhor É Impossível, os dois de James L. Brooks e o segundo passa hoje na TV paga. Jack como velho rabugento, homofóbico, hostilizando o vizinho gay, Greg Kinnear, e a garçonete Helen Hunt. Mas ele é boa pessoa. Humaniza-se. Aquele cachorrinho, mais viado que o dono, amolece o coração do velho. Jack Nicholson ganhou mais cinco Globos de Ouro e não sei quantos Baftas. Não é mais um ator. Virou uma instituição norte-americana sem precisar encaretar. Seu sorriso, eventualmente diabólico – O Iluminado, de Stanley Kubrick -, faz sempre lembrar o rebelde que foi (continua sendo?). Serão 80 anos esta noite. Deixei para o final o filme do meio de hoje no TCM. Questão de Honra é um dos meus preferidos entre os que ele fez (e nem citei O Destino Bate à Sua Porta, de Bob Rafelson, com as tórridas cenas de sexo com Jessica Lange, nem A Difícil Arte de Amar, de Mike Nichols, em que Meryl Streep e ele reproduzem o tumultuado affair Nora Ephrom/Carl Bernstein, que podia ser um grande jornalista investigativo, remember Watergate, mas foi um canalha com ela. Quem vai jogar a primeira pedra?) Questão de Honra/A Few Good Men. Um tribunal militar. O jovem oficial Tom Cruise tem de derrotar o velho leão arrogante – Jack! Rob Reiner fez um dos melhores filmes de tribunal – ever. E a desmontagem do personagem de Jack, quando sua arrogância o leva a cair na armadilha criada pelo jovem idealista (Cruise, no auge da beleza), é coisa de gênio. Parabéns, Jack.