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Eram…?

Luiz Carlos Merten

17 de dezembro de 2012 | 17h54

Por onde co0meçar? Pela Bolívia. Cheguei ontem pela manhã e, naquele clima de cidade ensandecida pela comemoração da vitória do Timão, descobri que havia no Cine Olido um ciclo de cinmema boliviano. Mais – que ontem, às 5 da tarde, o filme era justamnente do autror que resuime, sozinho, o cinema da Bolívia. Jorge Sanjinés! Faltando uns 15 minutos para o horário, dobrei a esquina da Dom José, vindo da 24 de maio e vi que havia o maior tumulto na entrada da Galeria Olido. Macaco velho, logo vi que não podia ser op filme de Sanjinés, por maior que seja a colõnia boliviana de São Paulo. Não era mesm o – era para o show de Fafá de Belém. Não creio que a mídia tenha dado muita importância para o evento. Provavelmente deve tê-lo min imizado, senão ignorado. Foi o próprio público, o boca a boca?, que chamou gente. Vi o meu Sanjinés, algumas pessoas saíram, outrras aplaudiram no final, e, no final, ainda assisti no telão a um pedaço do show de Fafá. Ela faz parte do meu imaginário, como imagino que faça do de todo o mundo que viveu a gloriosa campanha das Diretas Já! Sanjinés! Ele começou documentarista, presidiu o Instituto Nacional de Cinema, em La Paz, e em 1966 foi dispensado, na suíte dsos incidentes envolvendo a proibição de seu filme ‘Ukamau’. Ele deu esse nome à sua produtora e fez filmes que fui assistindo nos anos 1960 e 70 em diferenmtes paí9ses da América Latina. ‘Yawar Malku’, ou Sangue de Condor, ‘El Coraje del Pueblo’, ‘El Enemigo Principal’, ‘La Nación Clandestina’. Creio que ‘Los Insurgentes’ foi o primeiro filme de sanjinés a que assiasti no Brasil, embora já tenha havido programações de sua obra no País. Um docudrama que reconstitui a luta dos índios bolivianos por terras – e por sua identidade -, vendo na presidência de Evo Morales a culminação de uma luta que começou séculos atrás. Lembro-me da revista peruana ‘Hablemos de Cine’, que, nos anosd 1960, fazia uma defesa intransigente do cinema autoral e revolucionário na América Latina. Sanjinés era um cavalos de batalha da revista. Eu me impressionava com seu cinema indigenista, minimalista, que não contava propriamente histórias, mas criava cenas que faziam evoluir a trama e os personagens, às vezes com grande depuração. E sempre houve a música no cinema de Sanjinés, a quena, a flauta do Altiplano, com sua sonoridade particular. Saí do cinema, fiquei por ali vendo um pouco o show de Fafá, mas a minha cabeça viajava pelas lembranças da viagem que fiz ao Chile e ao Peru com a Dóris, no começo dos anos 1970. A descoberta de La Paz foi uma das coisas mais impressionantes de que me lembro. Uma fenda imensa na terra, um canyon, e a cidade que se desenvolvia para baixo e a gente seguia por aquelas vias circulares. Morro de vontade de voltar a La Paz, a Lima, a Machu Pichu. Estou até pensando em fazê-lo neste janeiro – de 2013 -, antes de Tiradentes, a minha querida Mostra Aurora, berço dos maiores novos talentos da invenção no Brasil, e a Berlinale. O alinhamento de Sanjinés com Morales, como expressão legítima de seu povo, deve desqualificá-lo perante muita gente. Mas ele não é populista nem panfletário. Quase 50 anos depois de ‘Ukamau’, ele segue resistindo. Um resistente. Não identifiquei um crítico, um só que fosse, daquelas dezenas que enchem as cabines. Para este povo, o c inema da Galeria Olido deve ser algo parecido com a paisagem da Lua. O Altiplano, da Bolívia e dfo Peru, possui uma conformação plástica de relevo que lembra as paisagens lunares. Nunca vou me esquecer do espanto que me causou, naquele táxi que cruzava o Altiplano, a descoberta da enigmática e imponente porta de Tihauanaco. Eram os deuses astronautas?

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