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Era Uma Vez em Hollywood, primeiras impressões

Luiz Carlos Merten

24 de julho de 2019 | 19h42

Começa daqui a pouco, 9 da noite, no canal Studio, o Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, com direito a reprise amanhã às 6 da tarde. Usei o filme como gancho para uma matéria no C2 online – os filmes de aventura de guerra, não os clássicos antimilitaristas que os críticos veneram, mas obras divertidas, cultuadas e que eu certamente defendo também por seus valores ‘artísticos’. Alguns exemplos – Os Canhões de Navarone, Os 12 Condenados, O Desafio das Águias, A Defesa do Castelo, etc. Tudo isso para chegar agora ao tema do post, que vai ser enorme, antecipo. Assisti ontem à tarde a uma sessão de Era Uma Vez em Hollywood na cabine da Sony. Éramos um grupo bem pequeno, umas quatro ou cinco pessoas. Estou na maior sinuca. Não creio que consiga falar sobre o novo filme de Quentin Tarantino sem dar spoiler. Estão avisados. Proponho até que deixem para ler depois. Mas não foi só por isso que demorei um dia inteiro antes de postar. Era Uma Vez…, que estreia dia 15, me desconcertou. Não consigo avaliar até agora se gostei, ou quanto gostei. Diverti-me, claro. Tarantino enche seu filme de informações de bastidores, ou de comentários mordazes, como definir Sergio Corbucci como o segundo Sergio do faroeste macarrônico. Não creio que o que ocorre no final seja uma grande surpresa para quem conhece nosso Quentin. O filme segue duas tramas – a ligação de um astro decadente de TV com seu dublê, Leo DiCaprio e Brad Pitt; e a outra o casal formado por Roman Polanski e Sharon Tate, que ocorrem ser vizinhos de ‘Leo’ – o personagem chama-se Rick Dalton – nas colinas de Hollywood. O ano é 1969 e, após uma primeira parte em que Rick é instado, digamos assim, a tentar retomar a carreira em Cinecittà, como astro de spaghetti westerns, a ação avança alguns meses, até agosto daquele ano. A esta altura, Brad, como o dublê, Cliff Booth, já topou com um bando de hippies que obedece a um certo ‘Charlie’ (Manson). Muito bem, em agosto, Margot Robbie, como Sharon, está estourando de grávida, e só quem não sabe nada da história de Hollywood deixa de antecipar que aí vem chacina. Foi o que se passou na realidade, certo? Ocorre que – 1) Cliff tem um cão feroz que há de ter uma serventia na trama, além de comer a repulsiva gororoba que o dublê lhe serve; e 2) em Bastardos Inglórios, ao matar Adolf Hitler no atentado no cinema, o diretor e roteirista já mostrou que o cinema é um território livre onde se pode mudar a história ao bel prazer. Pronto, já disse tudo. Para meio entendedor, basta. Só resta acrescentar que até o turning point da(s) história(s), DiCaprio, cujo personagem deveria merecer compaixão, é singularmente antipático, ao contrário de Brad, cuja ‘nonchalance’ inunda o filme. (Tarantino lhe deu dois de seus maiores papeis, aqui e em Bastardos.) É chegado o momento em que a ficção corrige a realidade e os heróis de mentira revelam que, afinal de contas, são maiores que parecem. Serão mesmo? No derradeiro plano, e apenas aí, pude sentir uma espécie de empatia – nostalgia? A de como as coisas poderiam ser, ou poderiam ter sido. Feitas as ressalvas, diverti-me muito, como já disse, com as cenas de cocheira. Margot/Sharon no cinema, assistindo a Uma Cilada contra Matt Helm (de Phil Karlson, 1968), a atriz e sua personagem são a luz que ilumina o filme; o corretivo que Cliff/Brad aplica em Bruce Lee/Mike Moh, que também é o instrutor de artes marciais de Sharon no Karlson; e as cenas muito bem feitas em que Rick imagina como teria sido atuar no papel de Steve McQueen em Fugindo do Inferno, de John Sturges, 1963. Era Uma Vez… terá cabine de imprensa na sexta. Estou pensando em rever…

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