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Era só o que faltava! Um desabafo

Luiz Carlos Merten

07 de março de 2014 | 23h26

Elvis observa (critica?) o que chama de tensão em meus posts recentes. Identifica muita raiva e escreve – Scorsese e os Coen viraram fraudes? Os críticos que discordam de mim são babacas? Não é de hoje que acho que Scorsese e os Coen são fraudulentos, e não é porque discordam de mim que os outros críticos (alguns) são babacas. É porque são. Não dá para ler que A Grande Beleza e O Lobo de Wall Street são grandes porque espelham a decadência da era atual. Apesar de todas as diferenças, Scorsese e Paolo Sorrentino são mais fascinados que críticos da decadência/canalhice que seus filmes espelham. Scorsese fica de quatro pelo DiCaprio (o personagem) e no final quer nos fazer crer que nós, o público, somos desonestos à espera de que seu trapaceiro compartilhe conosco seus truques. Sorrentino acho que ainda é pior. Para quem faz Jeff (Toni Servillo) criticar a performance da artista de vanguarda, o que faz? Cada uma de suas cenas quer ser mais bela que a outra. Há 50 anos, Bernardo Bertolucci citou Talleyrand em Prima dela Rivoluzione. Só quem viveu antes da revolução conheceu a delícia de viver. Sorrentino está pelo menos meio século atrasado. Arre! Menos, Paolo, menos! Estou cansado, talvez, exasperado, sim. A fraude desse julgamento do mensalão, a teatralidade do ministro/chefe… Já leram o livro do Paulo Moreira Leite? Já viram/ouviram as críticas de juristas importantes à manipulação dos dados e da opinião pública pelo homem que foi forjado como herói que deveria salvar o Brasil? E a todas essas um motorista de táxi me mostrou hoje um documento apócrifo pedindo que as Forças Armadas cumpram seu papel, deem um golpe e assumam o poder para (re)moralizar o Brasil. Era o que faltava! Como não se exasperar?

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