As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Enfim, a lista de Cannes!

Luiz Carlos Merten

17 de abril de 2014 | 09h22

O Festival de Cannes divulgou esta manhã – por volta das 6 h do Brasil, pela diferença do horário – a lista dos filmes que integram a competição de 2014, concorrendo à Palma de Ouro. Havia feito uma pesquisa em sites franceses para uma retranca de prognósticosa na minha capa de hoje – a entrevista com Gilles Jacob, que se despede da presidência. É sua última seleção, mesmo que seja assinada pore Thierry Frémaux, o diretor artístico, que age com o aval de M. le President. Boa parte, senão todos os filmes selecionados, estavam listados. Eu é que tive de fazer outra seleção, devido ao espaço e deixei coisas de fora. Poderiam ter estado todos lá, na capa do Caderno 2 de hoje. O Brasil está fora da disputa pela Palma. Em busca do ouro, o negócio é se concentrar na Copa, mas também não será fácil. O festival abre-se com Grace de Monaco, de Olivier Dahan, sobre o qual existe, antecipada, uma controvérsia. Os produtores norte-americanos, os irmãos Weinstein, não aceitaram a versão do diretor e querem remontar o material. Cannes terá de exibir a integral, porque a lei de copyright na França garante esse direito a Dahan. Curioso é que, durante o Festival Varilux, conversando com Jean-Pierre Jeunet, ele me disse que os Weinstein também querem remontar Uma Viagem Extraordinária e querelam com o autor. Enquanto isso, recusam-se – há um ano, já – a estrear o filme nos EUA e em outros países nos quais têm os direitos. Os filmes que participam da competição – Sils Maria, de Olivier Assayas; Saint Laurent, de Bertrand Bonello; o novo Nuri Bilge Ceylan, Kis Uykusi; o novo filme dos Dardenne, Deux Jours Une Nuit; Mommy, de Xavier Dolan; Captives, de Atom Egoyam; Adieu au Langage, de Jean-Luc Godard; The Search, de Michel Hazanavicius; The Homesman, de Tommy Lee Jones; Still the Water, de Naomi Kawase; Mr. Turner, de Mike Leigh; Jimmy’s Hall, de Ken Loach; Foxcatcher, de Bennett Miller; Le Meraviglie, de Alice Rohrwacher; Timbuktu, de Abderrahmane SDissako; Relatros Salvajes, de Damian Zsifran; e Leviathan, de Andrey Svyagintsev. Na entrevista ao Caderno 2, Gilles Jacob referiu-se aos ‘abonnés’, os autores que voltam sempre a Cannes, e a lista está cheia deles – Ceylan, Dardennes, Mike Leigh, Loach, Naomi Kawase, o próprio Godard etc -, mas disse que o futuro pertence aos jovens e que a renovação é necessária. A lista também expressa isso, embora em muito menor grau. Os próprios jovens já são abonnés, como Xavier Dolan. De maneira muito particular, trata-se de uma dupla despedida, porque Loach está anunciando que Jimmy’s será seu último filme. E a surpresa, para mim, foi a ausência de Le Rançom de la Gloire, de Xavier Beauvois, que Michel Legrand, autor da trilha, havia confirmado na entrevista que deu a Antônio Gonçalves Filho. Cannes exige segredo absoluto. O anúncio tem de ser feito pelo festival. Será que a indiscrição de Legrand custou caro a Beauvois? Afinal, seu filme estava em todas as listas de prognósticos que encontrei…

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.