Emoção?
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Emoção?

Luiz Carlos Merten

27 Janeiro 2014 | 10h52

TIRADENTES – Termino postando mais para explicar porque não estou postando tanto… Mas a verdade é que a Mostra de Tiradentes tem muitos filmes, muitos debates e eu próprio fico dando entrevistas. É mole? Ontem vivi emoções sui generis, por sinal, o título de uma das mostras paralelas de Tiradentes, onde a menina dos olhos é a Aurora. A Sui Generis é a dos filmes inclassificáveis. Foi onde passou ontem Amador, de Cristiano Burlan. Ouvi comentários reticentes. Muita gente acha que existem muitos filmes ali dentro, e que Burlan não trafega com a mesma – que palavra usar? – felicidade por todos eles. Engraçado é que tive essa sensação assistindo a Riocorrente, de Paulo Sacramento. Vinha perseguindo o filme há tempos. Tem uns 30 filmes ali dentro. Gostei do de sacanagem, he-he. Moça animada, a Renata. Goza com um, goza com outro. Mas de volta a Amador, posso achar que A Gente, de Aly Muritiba, foi o melhor filme de todo o fim de semana – já o tinha visto no Rio -, mas Ama-dor tem a cena mais bonita desse primeiro fim de semana, quiçá de toda  a mostra. Não, não é a bela cena em que o próprio Cristiano pergunta a Jean-Claude Bernardet o que é o cinema e o outro retruca – Tenho de responder? Não podemos ficar só em silêncio? Cito a cena na minha matéria de hoje do Caderno 2. Não sou um leitor de Bernardet, mas sua grandeza e generosidade me comovem. Tem gente que é incapaz de opinar sem a cartilha de Cahiers, de Bernardet. No ano passado, no Recife, fui atropelado pela declaração de um sujeito nos debates. De repente, o cara começou a elogiar uma comédia e eu me perguntando – como? Ele próprio, que sempre caiu matando nas comédias ‘globais’, deu a dica. Leu uma declaração de Bernardet em seu blog de apoio às comédias que ditam as cartas no cinema brasileiro. Bernardet tem um séquito que reza pela cartilha dele, e aquele silêncio me pareceu o máximo. Abre espaço para que cada um tenha sua definição do cinema. Mas a cena, por mais que goste, não foi a mais bela de Ama-dor. A Mostra de Tiradentes celebra este ano uma seleção inteiramente digitalizada. Filmes feitos e projetados em digital. E existe aquela cena em que o projecionista, figura que tende ao desaparecimento, fala da sombra que o celuloide, ao passar no projetor, lança no solo. Aquilo vai acabar. Na deslumbrante fotografia em preto e branco de Ama-dor, um pouco mais tarde o diretor chora. Na sequência, passou o filme de Murilo Salles, Passarinho Lá de Nova Iorque. Outro diretor. Cícero Luis, chora ao gravar, com sua minicâmera, uma cena de emoção em seu filme. Samuel Fuller, via Godards, O Demônio das Onze Horas – o que é o cinema? É um campo de batalha, é emoção. Outros dirão que é outra coisa. Não importa. Emoção me serve. A Mostra Aurora ainda nem começou, e Tiradentes já me faz respirar acelerado.

Mais conteúdo sobre:

Mostra de Cinema de Tiradentes