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Em pleno abismo geracional

Luiz Carlos Merten

16 Julho 2015 | 08h21

Passei mais uns dias sem postar e, nesse ínterim, fiz a matéria da lista de 100 + para o Caderno 2, que meu editor, Ubiratan Brasil, incrementou com uma pesquisa – os internautas do Estado escolheram/estão escolhendo o favorito deles entre os dez mais dos leitores da Empire. Até onde sei, Indiana Jones/Harrison Ford está ganhando de lavada. Havia feito uma leitura vertical da lista da revista. Para a matéria, tive de olhar com mais cuidado. Os 100 maiores personagens do cinema – 89 masculinos e apenas 11 femininos. Nenhum daqueles John Wayne emblemáticos nem Charles Foster, o Cidadão Kane, nem Carlitos, a criação imortal de Charles Chaplin. Em compensação, Optimus Prime, o que, mesmo para mim, que a título de provocação ponho aqui que esse deve ser o único blog de crítica do mundo que defende Michael Bay, me parece um pouco demais. Optimus Prime! O Dude de Jeff Bridges, dos irmãos Coen (O Grande Lebowski), em 10.º! E nada de Kane nem do Príncipe Salinas nem do Professore (Burt Lancaster em Violência e Paixão) nem Guido Anselmi, o alter ego de Federico Fellini em Oito e Meio. O que anda ocorrendo com a humanidade? Onde estão os cinéfilos? As mulheres ocupam em torno de 10% dos homens na lista e não adianta procurar por Scarlett O’Hara (Vivien Leigh em …E o Vento Levou),. Norma Desmond (Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses) ou Margo Channing (Bette Davis em A Malvada).  Estão todas ‘out’, fora. A Amy de Garota Exemplar, Rosamund Pike, está ‘inside’. Gosto (muito) do filme de David Fincher, mas daí a supervalorizar a personagem… Para mim, a lista de Empire cava um abismo geracional. Não me acho nostálgico, acho até que sou mais sentimental. Mas as mudanças comportamentais e de gosto não cessam de me surpreender. Atropelado por um rolo compressor, só o que posso fazer é defender minhas preferências e resistir.