Em memória de Jarman
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Em memória de Jarman

Luiz Carlos Merten

07 de fevereiro de 2014 | 21h59

 

BERLIM – Fomos ver Caravaggio, de Derek Jarman, de 1986, Orlando Margarido e eu. Encontramos o diretor de fotografia de O Homem das Multidões, que está aqui para acompanhar a exibição do filme de Marcelo Gomes e Cao Guimarães no festival. Ivo Lopes de Araújo ficou chapado com o filme. Aproveito para fazer um hiato que há dias me persegue. Por mais que goste da Mostra Aurora, de Tiradentes, não compartilho aquele desprezo xiita pelo mercado, e também não creio que tudo que integre a seleção seja genial. Não é mesmo. Gostei muito de A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa, que ganhou o troféu Barroco, mas confesso que, a despeito das qualidades de Preto Sai, Branco Fica, o novo longa de Adirley Queiroz me produziu certa exasperação pela facilidade de explodir o Congresso Nacional no desfecho. A plateia adorou, e Adirley, morando em Ceilândia, deve ter seus motivos, mas eu confesso que, modestamente, não acho que isso faça avançar a democracia nem o cinema. E para detestar políticos, já basta a Veja, que criou aquela fantasia do homem que vai salvar o Brasil. De volta a Derek Jarman, é impressionante como, há quase 30 anos – 28 -, ele já fizesse o que outros tentam até hoje sem sucesso. Imagino que a militância gay do filme possa desconcertar muita gente, mas, independentemente do que fazia na cama, Jarman era um grande artista, à frente de sua época. O festival vai mostrar a versão restaurada de outro filme dele – Sebastian, na semana que vem. Caravaggio, já conhecia. Sebastian, nunca vi. Preciso me programar desde agora para não perder a sessão. Ivo Lopes de Araújo ficou chapado com a fotografia – e o diálogo de Jarman com a pintura. Ele foi um dos fundadores do coletivo Alumbramento, de Fortaleza. Reproduzo, aqui, o que lhe disse. Nestes anos todos de Mostra Aurora, nunca vi nada melhor do que Estrada para Ythaca, dos irmãos Pretti e dos primos Parente. Integrei o júri que premiou o filme, e me orgulho disso.

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