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Em Guerra

Luiz Carlos Merten

25 Maio 2018 | 21h46

Vincent Lindon inaugurou na França um novo status de astro. O ator cidadão. Com A Lei do Mercado, O Preço de Um Homem no Brasil, de Stéphane Brizé, foi melhor ator em Cannes. Muita gente tinha a expectativa de que repetisse a dose este ano com Em Guerra. Não deu. Confesso que não sou um entusiasta de La Loi du Marché, mas gostei muito de Uma Vida, outro filme do diretor. En Guerre é sobre o confronto entre patrões e empregados. Lindon faz um sindicalista. Radicaliza a categoria – tudo ou nada. O personagem não tem outra vida que não a mesa de negociação. É visto através do noticiário de TV. É um partido forte, e arriscado. Estava achando interessante, mas o problema de um filme desses é sempre – como acabar? Conversei com Costa-Gavras sobre o desfecho de Em Guerra, e ele também achou inaceitável. Decepcionante. (Esperem para ver.) Mas En Guerre tem tudo na ver com o que está se passando na França, no Brasil. Não poderia deixar de fazer um registro sobre o filme, que praticamente ignorei em Cannes (e o júri,m também). Encontrei Renata de Almeida uma vez apenas, durante o festival. Em compensação, encontrei direto o Jonas, filho dela com o Leon (Cakoff). Jonas vai colocar sangue novo na Mostra, podem apostar. Vimos e discutimos vários filmes, incluindo o Brizé. Moleque de ouro, inteligente, com um olhar próprio e arguto.