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Em fase de adaptação

Luiz Carlos Merten

06 de junho de 2013 | 19h10

Vocês me desculpem por algo que acho que nunca fiz antes no blog, mas mudei o título do post anterior. Não vou acrescentar nada sobre isso. Quero começar dizendo que ainda não me acostumei à minha nova rotina, agora que o Caderno 2 fecha às 7 da noite. São quase 7 e ainda estou no jornal fechando matérias e às 9 (da manhã) já estava puxando meu carro para o Itaú do Frei Caneca, para ver Tese para Um Homicídio, com Ricardo Darín. Ontem, neste horário noturno, estava em Alphaville, na Cinecolor, vendo Odeio Dia dos Namorados. Todo dia tem sido essa correria, uma questão de acomodação, até eu me adaptar à nova rotina. Ainda não consegui postar sobre Depois da Terra, o novo M. Night Shyamalan, que vi ontem pela manhã. Gostei demais, e não estou nem aí que o filme tenha sido um fracasso nos EUA. ‘Night’ já prenunciava isso na entrevista que nos deu – era um grupo grande – em Cancun, durante o evento da Sony (Summer of Sony). Ele disse que temia por After Earth estar sendo lançado como filme de verão, mas este tem sido o destino de seus filmes, que possuem eleme3ntos de blockbuster, mas não são. Atér o comparei no outro dia a JJ Abrams, mas confesso que foi improcedente. JJ faz blockbusters (plenos), mas isso não o impede de construir, dentro de cada um deles, umas narrativa rigorosamente intimista e a de Além da Escuridão – Star Trek me encantou, mas nada que se compare à de Depois da Terra, que é ainda melhor. Como todo o cinema de Night, After Earth se constroi por meio de duas fábulas, como bem observou Emmanuel Bourdos. Uma remete à família e usa o formato do melodrama, a outra se refere ao próprio cinema e utiliza ingredientes de horror e/ou ficção científica. Hoje conversei com Inácio Araújo antes da sessão de Tese. Tomamos um café e eu observei a falta que ele me fez na cabine de Depois da Terra. Inácio teria gostado, creio. Ele já havia gostado de O Último Mestre do Ar, que não é tão bom e eu também gostei, porque se trata de um ‘fracasso’ respeitável e eu, sorry, já que o assunto [é (em pçarte) horror, me interesso mais por um Shyamalan meia boca do que por um Alexander Sokurov ‘logrado’ (o Fausto, por exemplo). Não digo isso para escandalizar, mas porque acredito, realmente. After Earth é uma fábula sobre dois herois. Um pouco como o Kore-eda que vi em Cannes, conta a história de um homem (Will Smith) que aprende a ser pai. Esse pai é um militar e, por isso, o filme se constrói entre duas continências, no começo e no fim. Entre esses extremos, ‘Night’ retoma seus temas preferidos – a morte, o medo. O perigo é real, o medo é uma escolha que pode paralisar. Um livre-arbítrio, daí a citação a Melville e a Moby Dick, a grande baleia branca que Ahab persegue para matar, e ela é (ou não é?) Deus. Jaden Smith é o novo Ismael. Puta filme bonito, emocionante. Queria ter chorado de urrar, ainda mais que é um filme de pai e filho, mas segurei minhas pontas porque achei que pegaria mal. A tensão foi tão grande que, à noite, tive sangramento pelo nariz (acho que pode ter sido por isso). E hoje morreu Esther Williams, a rainha das piscinas de Hollywood. Fanny Brice dizia que, molhada, ela era uma estrela. Seca, não era nada. Invejenta, a tal Fanny, que Barbra Streisand encarnou em Funny Girl, de William Wyler. Esther queria ser campeã olímpica de natação, mas Adolf Hitler não deixou, invadindo a Polônia e iniciando a 2.ª Guerra. A Olimpíada, que seria em Tóquioi, foi transferida para a Finlândia, mas não se realizou. Esther foi convidada para uma ponta num filme de Hollywood, virou estrela e ganhou uma piscina gigantesca, na Metro, só para ela. Durante 14 anos e 20 ou 21 filmes, ela, como filha de Netuno, foi rainha. Depois, o reinado do cinema acabou, mas Esther nunca perdeu a majestade e jurava que nunca foi mais feliz do que nos 22 anos em que foi casada com Fernando Lamas (e teve, como enteado, o Lorenzo, só para acrescentar). Misturei alhos com bugalhos. O necrológio de Esther Williams foi uma das matérias que fiz para o Caderno 2 de amanhã. Vou sair para jantar, e ir ao cinema. Há muita coisa em cartaz que quero ver, ou rever. Acho que vou rever o Assayas, Depois de Maio. Puta filme. Com o de Shyamalan e dois nacionais – O Som ao Redor e Faroeste Caboclo – forma o quarteto do very best que vi até agora, em 2013.

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