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Elysium

Luiz Carlos Merten

09 Setembro 2013 | 21h56

Fui rever hoje Elysium, para não ser injusto com o blockbuster de Neill Blomkamp. Afinal, o vi em Nova York entre dois filmes que me impressionaram muito – o novo Woody Allen, Blue Jasmine, que me pareceu o melhor filme do autor em séculos (e olhem que me diverti com Meia-Noite em Paris), e Lee Daniels’ The Butler, que bem poderia valer a Forest Whitaker seu segundo Oscar – imaginem, se Daniel Day-Lewis já ganhou três! Não é que não tenha gostado de Elysium. Quero dizer, continuei não gostando, e pelos mesmos motivos. O filme tem qualidades – efeitos, e o mais impressionante é que os efeitos do filme criam a fantasia futurista; a Terra miserável foi feita em locações na Cidade do México, o filme também tem a melhor interpretação de Alice Braga em inglês e uma vigorosa estreia de Wagner Moura em Hollywood, tem até boa ação e algumas reviravoltas espetaculares (embora tenha me aborrecido com Jodie Foster e sua secretária Delacour. Aproveito para tergiversar. Na primeira entrada de Jodie, a câmera a acompanha de trás, num tailleurzinho muito chique, mas umas pernas de garrafa, com um músculo na panturrilha que eu fiquei me perguntando – que raio de ginástica essa pessoa andou fazendo para ficar desse jeito?) Ok, tudo bacana, a freirinha com sua mensagem para Max, todos somos especiais, o tema cristão do sacrifício, morte e ressurreição – quando virem vocês vão entender -, mas tive a mesma sensação de que o roteiro, do próprio Blomkamp, é básico demais, para não dizer esquemático, sem chance de criar (pelo menos para mim) nenhuma densidade emocional. Distrito 9 era melhor, e no fundo o que Elysium tem de bom vem do outro filme. O ator que ia virando alien lá e aqui vira máquina de matar. O cabra é bom, e o seu vilão é o personagem que mais se beneficia da opção do diretor pelo básico. Ambições à parte, não me convenci.