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Elsa Martinelli! Eterna, e com aquele elefantinho

Luiz Carlos Merten

09 de julho de 2017 | 17h30

Cheguei no jornal e já fiz boa parte das minhas matérias de amanhã – sobre a exibição de Sob Pressão na Tela Quenta e a entrevista com Andrucha Waddington por causa da série que estreia dia 18 na Globoplay e 25 na Globo. Mas confesso que não esperava ter de enterrar Elsa Martinelli, e num espaço exíguo, ainda por cima. Elsa Martinelli! Italiana e modelo, ela se iniciou, em 1955, como pele-vermelha num western produzido por Kirk Douglas e dirigido por André De Toth, A Um Passo da Morte. Foi melhor atriz em Veneza, no ano seguinte, por Donatella, de Mario Monicelli. Filmou com Orson Welles (O Processo) e integrou o elenco multiestelar de Gente Muito Importante, de Anthony Asquith, mas ali só importava o casal Elizabeth Taylor/Richard Burton, juntos, de novo, após a Cleópatra de Joseph L. Mankiewicz. Elsa Martinelli é parte das minhas mais vivas lembranças de cinema, mas não é por nenhum desses filmes. Em 1962, Howard Hawks foi fazer com John Wayne seu filme de caçadas na África. O Duke faz Sean Mercer, que caça animais vivos para zoológicos. Puro Hawks – Wayne reúne os homens na planície, para a ação. Elsa, a mulher, como ‘Dallas’. reúne todo mundo na casa, ao redor do piano. Sean Mercer corre perigo, e se mede com a natureza, enfrentando animais selvagens. Dallas se identifica com a natureza, e adota o filhote de elefante. Autor da trilha, Henry Mancini criou o tema O Passo do Elefantinho. Aonde vai Dallas/Elsa, vai o filhote. No final, ele sobe na cama com Wayne e ela, e a natureza transborda o leito do amor. No mundo multigênero, um filme como Hatari!, que ainda toma como parâmetro a relação homem/mulher, corre o risco de, sei lá, ser considerado preconceituoso, senão incorreto. Um filme sobre animais para zoológicos! Mais incorreto ainda. Para mim, é obra-prima total. E Elsa, gloriosa. Ela morreu no sábado, 8, em Roma, aos 82 anos.