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Elke, Senta e as belas lembranças

Luiz Carlos Merten

26 de fevereiro de 2015 | 23h18

No post anterior, sobre As Obras-Primas do Terror, citei Elke Sommer, atriz de Mario Bava em Lisa e o Diabo. Elke Sommer! Imediatamente iniciei uma viagem sobre as atrizes alemãs importadas por Hollywood nos anos 1960. Lembrei-me até que Elke, berlinense de 1940, era prima de uma ex-miss Brasil. Fui procurar o nome e achei – Mariza Sommer. Numa de minhas primeiras junketts descobri que ela virara pintora e estava expondo em Los Angeles. Achei que poderia, quem sabe, encontrá-la. Vi os quadros, inspirados em Marc Chagall, não ruins, mas também não tão bons. Com sua beleza loira, Elke filmou na Alemanha, na Itália, na Inglaterra. Foi com Romy Schneider, Rossana Schiaffino, Jeanne Moreau, Melina Mercouri etc, uma das mulheres de Os Vitoriosos, de Carl Foreman. Em Hollywood, fez Criminosos não Merecem Prêmio/The Prize, de Mark Robson, também com Paul Newman, o mais hitchcockiano dos divertissements – ação + humor + romance + suspense – que Alfred Hitchcock não realizou, e eu estou considerando os que Stanley Donen dirigiu, como Indiscreta, Charada e Arabesque. E Elke ainda foi a falsa ingênua de Um Tiro no Escuro, de Blake Edwards. Apesar das evidências que a comprometem num caso de crime, o desastrado inspetor Clouseau (Peter Sellers) acredita que é inocente e vai se enredar na tentativa de prová-lo. Embora não tenha atingido as alturas de uma Marlene Dietrich, Elke teve uma carreira bem estimável no cinema (norte-)americano e ainda fez o cultuado horror de Mario Bava. Prosseguindo na minha viagem, lembrei-me de outra alemã que adorava, e que também ficou famosa em Hollywood. Na verdade, uma austríaca de Viena – Senta Berger, um ano mais jovem que Elke Sommer (é de 1941). Estrela de Um Mabuse – O Testamento do Dr., também conhecido como O Terror do Dr. Mabuse, de Werner Klinger, com Gert Frobe e Wolfgang Preiss -, integrou o elenco de Os Vitoriosos. Em Hollywood, participou de dois filmes de Sam Peckinpah (Juramento de Vingança/Major Dundee e Cruz de Ferro) e também fez um filme de espionagem escrito por Harold Pinter, do qual gosto bastante – The Quiller Memorandum/A Morte não Manda Aviso, de Michael Anderson. Gostaria de acreditar que vocês gostam tanto delas, e desses filmes, como eu.