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Ela Dança, Eu Danço 4, o Mani Sulla Città do hip hop

Luiz Carlos Merten

19 de abril de 2020 | 17h13

Estava zapeando na TV paga, depois de ver o segundo tempo de Santos e Grêmio. É mole? Entraram as imagens de uma reunião de executivos, discutindo um grande projeto imobiliário. Alguém, fora da sala – dá para ver só a mão -, aciona o alarme de incêndio, a sala é evacuada, o prédio todo. E, então, no meio do tumulto, começa uma coreografia. Homens e mulheres engravatados, de chapéu, movimentos sincronizados e meio robóticos, e aí vem outro grupo, mais solto. Tomei um choque. Sou dado ao exagero – quando gosto, amo -, mas a sensação é que, desde West Side Story/Amor, Sublime Amor, de Robert Eise e Jerome Robbins, de 1961, não via dança tão energéticas (e viris). Não desgrudei o olho e o filme prosseguiu com muita street dance. Deu para entender rapidamente a história. O grupo de dançarinos e coreógrafos é étnico e tenta impedir que seu bairro (pobre) seja destroçado pela especulação. Le Mani Sulla Città, o clássico de Francesco Rosi, no começo dos anos 1960, em versão hip hop. Boy meets girl. O casal tem uma dança na praia, o que a série 50 Tons, exceto talvez o primeiro episódio, deveria ter sido em termos de sensualidade. Na sequência, a garota dança sozinha, repetindo os movimentos, mas falta ele para completar a coreografia. A garota é filha do esperculador imobiliário. Uma falseta a retira do grupo e a lança de volta na empresa do pai, mas o carinha, apaixonado, não desiste de impedir a destruição do bairro, nem de recuperar seu amor. A apoteose, na rua. O filme é Ela Dança, Eu Danço 4, de 2012, que não tinha visto. Fui pesquisar e encontrei que não teve lançamento nos cinemas brasileiros. Ryan Guzman e Kathryn McCormick formam o casal. Não conhecia nenhum dos dois. Fiquei siderado pela química. O diretor é Scott Speer. Scott quem? De novo a pesquisa me revelou que é tex mex, nasceu em San Diego e conquistou seu primeiro MTV Video Latin America Award no México. Depois de uma bem sucedida carreira na video muidsic, dirigiu o primeiro longa, na dérie Step Up – encontrei que Step Up Revolution, o título original de Ela Dança, Eu Danço 4, é o mais social (político?) desses filmes. Não à verticalização urbana, sim à sustentabilidade. Defesa da comunidade, do indivíduo, da vida, mas embasada num movimento popular, na união de classe. Talvez tenha me entusiasmado demais, mas ficas por conta do contexto. Isolado dentro de casa é emocionante ver toda aquela gente daançando, interagindo. se tocando. Li que muita gente reclamou da ausência de lirics, mas faz todo sentido. A música, no filme, é dançada. Batida, remix. Está começando o segundo tempo de Brasil e Argentina, 2 a 0, gols de Adriano e Cacá. Ih, 3 a 0, agora o Ronaldinho Gaúcho acaba de fazer o gol dele. Pesquisei sobre o Ryan Guzman. É texano (de Abilene), foi jogador de beisebol e lutador de peso médio, modelou. Kathryn McCormack destacou-se no Dancing with the Stars. Ou seja, já era do ramo. Ryan, não. Teve poucas semanas para virar, na marra, dançarino. Devo ser um velho bobo. Me encantei pela dupla.

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