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Eight days a week!

Luiz Carlos Merten

14 Janeiro 2017 | 20h24

MAR DEL PLATA – Cá estamos. Uma cidade enorme que abriga um famoso festival de cinema – ao qual nunca vim. Do aeroporto para o hotel, a trilha, no táxi, foi fornecida pelos Beatles. Aproveito o gancho. Viemos do Rio num voo Emirates. Assisti a… Olhem aí Amir Labaki, Orlando Margarido (que participa da seleção do É Tudo Verdade). Eight Days a Week. The Touring Years. Já havia ouvido falar do documentário de Ron Howard sobre os Beatles nos anos 1960. ‘Ron’ conseguiu material inédito e eu achei muito bacana o retrato que ele faz do impacto que os Beatles tiveram sobre a juventude daquela década. Tudo ia mudar rapidamente, e o quarteto participou da mudança. Gostaria muito que Eight Days a Week fosse selecionado pelo É Tudo Verdade, ou fosse comprado por algum distribuidor brasileiro. Richard Lester dá depoimentos bem interessantes, e eu sempre me perguntei o que havia ocorrido com ele. No livro com a entrevista que concedeu a Tom Milne, Joseph Losey conta – teria de checar – que teve algum problema, acho que foi durante a pós-produção de Estranho Acidente. Ficou impossibilitado de trabalhar, e tinha um deadline a cumprir. Lester ofereceu-se para ajudá-lo, e o fez de graça. E Lester, além de Os Reis do Ié-Ié-Ié, Socorro! e A Bossa da Conquista, que ganhou a Palma de Ouro, dirigiu Um Escravo das Arábias em Roma, com Buster Keaton (seu último papel), Petúlia, com George C. SCott e Julie Christie, e Robin e Marian, o meu favorito, com Sean Connery e Audrey Hepburn. O velho Robin Hood reencontra Lady Marian, que entrou para um convento. Nós que fomos jovens, e nos amávamos tanto. Li não sei onde que Steven Soderbergh, grande admirador de Lester, escreveu um livro sobre ele e batalha para que seja reconhecido como o grande diretor que foi. Li uma história talvez romanceada. Lester era muito amigo do ator Roy Kennear. No fim dos anos 1980, Lester chamou-o para o que seria um novo episódio da saga dos Três Mosqueteiros, mas Kinnear caiu do cavalo, literalmente, e morreu. Lester, traumatizado – sentindo-se responsável -, concluiu a produção (A Volta dos Mosqueteiros) e parou de dirigir. Será verdadeiro? Para o diretor sensível que ele foi, especialmente em Petúlia e Robin e Marian, quero crer que sim.