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Ei, ei, ei, o papa é nosso rei

Luiz Carlos Merten

21 de outubro de 2020 | 21h40

Ainda não vi nada realmente grande nas cabines da Mostra, exceto, talvez, os documentários. Como os dois eventos ocorrem este ano consecutivos, a Mostra prolonga o É Tudo Verdade. Vi um sobre Stanley Kubrick genial, mas ao contrário do título, Kubrick on Kubrick, o diretor Gregory Monro não dá voz somente ao autor, cuja voz ouvimos em entrevistas gravadas. Há um riquíssimo material iconográfico, fotos e mais fotos. De cara, uma TV anuncia a morte de Kubrick, one of the greatests and most controversial authors in film. Kubrick amava a fotografia e o xadrez, e o filme tenta esclarecer por que ele era tão controverso. Kubrick levou Arthur C. Clarke ao pé da letra e tentou levar o cinema além dos limites do possivel, que é a forma de se atingir o impossível. Revendo no notebook as imagens da Aurora do Mundo lembrei-me da cena que vi na tela imensa do Cine Astor, em Porto Alegre, num sábado de 1968. 2001! Tinha 23 anos e tomei um choque. Nunca havia visto nada parecido, e menos ainda nas ficções científicas da época. Se eu prosseguir por essa linha estarei repetindo o post anterior. Eu, como não sou escravo de nennum celular, nem filtro o mundo pelo aparelho, tenho outra percepção das coisas. Kubrick foi controverso nos temas e na forma, até aí não estou dizendo nenhuma novidade, mas o que me impressionou no filme de Monro foi uma coisa que se pode observar nas fotos. O jovem Kubrick era um diretor formal. Vestia terno e gravata nos sets, até ao dirigir as batalhas de Spartacus. Depois, ele começa a se liberar. Afrouxa a gravata, abre a camisa, dispensa o terno. Esse movimento acompanha o Kubrick dos grandes filmes dos anos 1960 e 70. Mas, depois, já bem no fim, percebe-se, no rosto cansado, no desalinho das roupas, o peso de ser Kubrick, de carregar tanta expectativa. Pergunto-me se foi meu olhar ou se Monro quis realmente expressar esss transformação? Kubrick foi sempre objeto de controvérsia. Lembro-me de outro documerntário que vi, e não sei se foi na Mostra ou no É Tudo Verdade. Kubrick e a teoria da conspiração, sua – não se verdadeira – ligação com a maçonaria. O Kubrick que teria encenado a descida do homem na Lua para a Nasa. Fake ou fato? Outro filme que, esse, revi nas cabines da Mostra – Welcome to Chechnya, de David France. Já tinha visto na Berlinale. O líder checheno Ramzan Kadyrov, assim ó com Vladimir Putin, diz que não existem gays no país. Claro – estão matando todos. O que nos leva ao papa Francisco. Num documentário – Francesco, de Evgeny Afineevsky – apresentado na terça, 20, no Festival de Roma, ele reconheceu que gays são filhos de Deus e abençoou as uniões homoafetivas. Esse Francisco é o maior estadista do mundo na atual quadra da humanidade, mas, claro, Trump, Bolsonaro e seu séquito de adoradores vão negar isso de pés juntos.

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