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Efemérides (2)/A vida fede!

Luiz Carlos Merten

28 de junho de 2016 | 09h32

E hoje – terça, 28- se completam os 90 anos de Melvin Kaminsky, que ainda está vivo para contar sua história. Melvin? Quem é esse cara? Pois foi como Mel Brooks que ele se tornou conhecido, e um dos arautos do chamado humor judaico-novaiorquino. Mel Brooks seguiu um longo percurso. Fez shows em boates, escreveu esquetes para televisão, foi gagman de Sid Caesar. No final dos anos 1960, estreou como diretor com Primavera para Hitler/The Producers. A comédia foi considerada ultrajante. Um produtor que fatura em cima de fracassos monta uma opereta sobre Hitler, certo de que ninguém irá ver. O sucesso supera toda expectativa. Houve polêmica. A crítica e o público ficaram indignados, mas os judeus da Academia captaram a sutileza e o filme ganhou o Oscar de roteiro original. Primavera para Hitler virou musical da Broadway, que foi adaptado para o cinema e fracassou, de novo, na bilheteria. Mas isso foi agora, nos anos 2000. Em 1974, com dois êxitos retumbantes, Mel Brooks encontrou sua via – Banzé no Oeste e O Jovem Frankenstein. São filmes que demolem/desconstroem, por meio de piadas desopilantes (muitas delas grosseiríssimas), os códigos de gêneros tradicionais do cinemão, western e terror. Os caubóis que só comem feijão passam o filme peidando, perdão, com flatulência, e a corcova de Igor, o auxiliar do dr. Frankenstein, está sempre mudando de lado nas costas dele. Aprovado seu humor, Mel Brooks prosseguiu rindo do cinema – em A História do Mundo, Parte 1 (nunca houve Parte 2, apenas um trailer no final), a Inquisição é encenada como musical com sereias (Ave, César!); em Alta Ansiedade sobra para o suspense à Hitchcock, e por aí vai. Em 1991, Mel Brooks, no auge da sua lucidez, ou desencanto, concluiu que a vida é uma droga. Life stinks! A vida fede. Natural, pois é uma m… Truculento, vulgar, nada indicava que Mel Brooks pudesse ser também um romântico. Talvez nem seja, mas em 1964 encontrou sua alma gêmea. Anne Bancroft ainda não havia feito a devoradora Mrs. Robinson de A Primeira Noite de Um Homem, mas já recebera (em 1962) o Oscar por O Milagre de Anne Sullivan, de Arthur Penn. Viveram juntos 41 anos, até a morte dela, em 2005. Por amor a ela, Mel Brooks produziu um grande David Lynch – O Homem Elefante, no qual Anne tinha um papel importante. Não sei do que gosto mais, se dos filmes ou da história de Mel com Anne, por menos que, pessoalmente, tenha a ver com isso. Mas é aquilo – nessa droga de vida, algumas pessoas nos mostram que tudo é possível. Depende da gente.