As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

É Tudo Verdade!

Luiz Carlos Merten

04 de abril de 2019 | 09h08

Tenho tido emoções muito particulares assistindo às cabines do É Tudo Verdade. O documentário sobre Mike Wallace me fez repensar minha atividade como jornalista de cinema. Comecei na época da ditadura, que o coiso quer dizer que não foi, atravessei décadas para chegar ao Brasil atual, a esse verdadeiro atoleiro que ameaça nos tragar. Fui tomar café na lanchonete da Regina, em frente à minha casa, e espero comer no almoço a panqueca de carne da Trigonella. Há semanas que planejo esse almoço, e não tenho conseguido. Assisti pela TV a momentos selecionados da ida do ministro Paulo Guedes ao Congresso. Sua toada é a mesma de Jair Bolsonaro. O País necessita da reforma da Previdência, e eu não duvido, mas ele, como o chefe, exige um cheque em branco. Fica nervosinho, bate boca, provoca – interpelado sobre o Chile, que é modelo para ele, retruca que bem está a Venezuela -, mas não responde à grande crítica. Que os mais pobres vão pagar a conta e as maiores fortunas do Brasil, sem taxação, vão aumentar ainda mais. Já ouvi o ministro ameaçar. Se as coisas não funcionarem como quer, volta para a iniciativa privada. É a diferença. Ele sempre terá a Ipiranga. Vi o Dorival Caymmi da Daniela Broitman, que me fez repensar os afetos. E vi ontem Soldados da Borracha, de Wolney Oliveira, que me produziu um efeito devastador. Os excluídos da história. Durante a 2.ª Guerra, os aliados, para vencer os alemães, precisavam da borracha e o então ditador Getúlio Vargas fez, com os EUA, acordos vantajosos para o Brasil. Com promessas de mundos e fundos, houve um êxodo de brasileiros pobres que sonhavam com o Eldorado das seringueiras para melhorar de vida. Paralelamente, Getúlio exigiu que expedicionários brasileiros fossem combater na Europa, o que os norte-americanos não queriam, porque achavam que seriam despreparados, etc e tal. A FEB fez a campanha vitoriosa que se sabe, os expedicionários voltaram como heróis e os soldados da borracha, entregues à própria sorte, morreram à míngua. Nada do que lhes foi prometido foi dado, o que é uma palavra inadequada, porque, como na questão da Previdência, não é uma questão de ‘dar’. Espero não estar errando as estatísticas que o filme de Wolney cita no fim. Dos 25 mil expedicionários, morreram 400 e poucos. Dos 55 mil soldados da borracha morreram 30 mil, e hoje sobram 6 mil beneficiados pela PEC votada no Congresso. As imagens da miséria, e eu me lembro que, num dos documentários sobre a FEB que vi, os entrevistados, não diria que todos, moravam em apartamentos bem suntuosos. Não discuto o heroísmo de quem quer que seja, mas a desigualdade de tratamento. Os soldados da borracha ganharam a guerra – sem ela, nada feito -, mas permaneceram excluídos. O poder econômico, as partilhas têm muitas vezes, senão sempre, algo sórdido. O É Tudo Verdade começa nesta quinta, 4, para o público. Tem coisas muito boas, das quais espero dar conta. Ontem, fui à tarde a Alphaville para ver, na cabine da Warner, Shazam,! A matéria terminou ficando para amanhã, sexta, porque Tunica Chagas vai enviar um material de Nova York, mas meu dia ficou corrido e afinal não consegui ver o Dellani Lima no encerramento da Mostra Tiradentes em São Paulo. Gastei muito tempo tentando falar com Halder Gomes, mas mudanças na assessoria – parte da Febre virou Atômica – impediram a comunicação. Acho que o material de Cine Holliúdy 2 ficou OK, mas gostei tanto do filme que esperava que ficasse melhor.

Tendências: