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É Tudo Verdade?

Luiz Carlos Merten

23 de fevereiro de 2018 | 17h27

Já estou pensando na seleção de Cannes, vejam só – post anterior -, mas antes disso teremos o É Tudo Verdade e o Cine PE, se houver. Sandra Bertini é guerreira, mas os percalços do ano passado colocaram o festival sob suspeita. Precisaria de uma boa curadoria e de uma seleção respeitável para se reerguer. A de curtas, no ano passado, até que foi OK, com belos títulos que anteciparam boa parte das discussões sobre feminismo e negritude que agitaram os eventos do segundo semestre. Já contei como achei esquisito surpreso quando o ministro Sá Leitão não só deu as caras como se manifestou no debate sobre O Jardim das Aflições – justamente um dos filmes que deram origem à polêmica -, mas ignorou os debates de curtas sobre a participação de negros e mulheres, de mulheres negras, no mercado, e isso para meses depois lançar um programa contemplando o tema. Mas confesso que estou pensando agora no festival de Amir Labaki, o É Tudo Verdade. Berlim teve uma seleção de documentários brasileiros que já vale toda uma programação. Pelo tema e pela diretora, já estou gostando de O Processo mesmo sem ter visto (ainda). Maria Augusta Ramos é boa demais e me merece todo o crédito. E tem a Bixa Travesty, de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla (esqueci dela num post anterior, sorry) e o Ex-Pajé, de Luiz Bolognezi. Imagino que o Amir esteja de olho nesses filmes para seu festival, e me pergunto se Maria Augusta mostra O Processo em São Paulo ou prefere esperar pela seleção de Brasília, em setembro, às vésperas da eleição, quando seu longa sobre o impeachment de Dilma Roussef com certeza incrementaria o debate político.

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