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E Spielberg fez sua Mulher Maravilha!

Luiz Carlos Merten

17 Janeiro 2018 | 09h54

Fui ver ontem à Noite The Post – A Guerra Secreta e, na saída, Luiz Zanin, Orlando Margarido e eu fomos comer um carpaccio (e beber vinho) naquele restaurante na esquina do Espaço Itaú Augusta. Em época de empoderamento feminino – tem gente que detesta a expressão, mas como ‘discurso’ (no meu tempo era só de candidato) e ‘local da fala’ é outra contribuição do jargão acadêmico -, Steven Spielberg fez a sua Mulher Maravilha. Havia escrito no post anterior Katharine Graham, mas aí fui procurar na rede e apareceu bem grande ‘Katherine’. Fui induzido ao erro, que corrijo. O filme de Spielberg não é só sobre a liberdade de imprensa nem sobre a batalha épica nos bastidores do The Washington Post para publicar documentos secretos do governo norte-americano – isso é o plot -, mas sobre a superação de uma mulher e a sua afirmação num meio masculino. Katharine tem de enfrentar os homens no conselho do jornal, que acham que podem manipulá-la, coisa que até o chefe de redação Tom Hanks também acredita que pode fazer. Mas o filme é sobre como essa mulher, que viveu à sombra do marido e do pai – e achava natural isso, na época e no meio em que vivia -, assume o controle da própria vida, e do jornal. E assim como construiu sua trilogia informal sobre o 11 de Setembro – O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique -, Spielberg usa o exemplo da luta de Katharine Graham para concluir outra trilogia informal, sobre o funcionamento da democracia norte-americana. Amistad, Lincoln e, agora, The Post. Amistad encerra-se com aquele discurso do venerável John Adams, sobre o princípio da igualdade como pedra de toque, com a 1.ª Emenda, da democracia. Lincoln e The Post contrapõem dois presidentes, um heroico, o primeiro, e outro, canalha – Richard Nixon, no segundo -, para estabelecer outro princípio que deveria ser sagrado. Não o da liberdade de imprensa como uma coisa abstrata e generalista, mas a defesa da liberdade de informar a favor dos governados, não dos governantes, e isso faz toda a diferença. Gostei muito de The Post e gostei mais ainda de Meryl Streep e Tom Hanks, que estão fantásticos – ela, numa interpretação à Katharine Hepburn, com seus olhos marejados, mas dura na queda. E o roteiro é muito inteligente. De um lado, as festas, com a coexistência dos ricos e poderosos. De outro, a batalha da redação. A coexistência não implica em promiscuidade – ‘Não estou pedindo autorização para publicar o que quer que seja’, diz Katharine a Bob McNamara. E ao seu conselheiro – ‘Esse não é mais o Post do meu pai nem do meu marido, e quem não estiver de acordo pode ir embora.’ Fiquei eufórico, pela afirmação de um princípio, e deprimido porque… Quem é do ramo, sabe. The Post estreia na quinta da próxima semana, 25. Estamos no comecinho do ano e já pintou um dos filmes importantes de 2018.