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E sobre como de Geoffrey Rush cheguei a…Meg Ryan

Luiz Carlos Merten

22 Abril 2017 | 12h13

Entrevistei Geoffrey Rush esta semana pela minissérie Genius, que começa amanhã, domingo, no National Geographic. Albert Einstein! Rush foi ótimo, como sempre, e como a entrevista estará no Caderno 2 de amanhã não me perece muito ético ficar me furando no blog. Gostaria de ter perguntado sobre o próximo Piratas do Caribe, A Vingança de Salazar – sai Penélope Cruz, entra o maridão Javier Bardem -, mas a assessora do canal foi rigorosa. No other questions, only Genius. O curioso é que, como foi uma conference call, com mais três jornalistas do México, Argentina e Colômbia, demorou para começar. Fiquei quase meia-hora com a musiquinha me azucrinando o ouvido e, de repente, entra a voz da assessora, a galope. We have Geoffrey, Luiz first question. Hein? Como sempre, não tinha preparado nada e, meio atordoado, lembrei o Einstein lunático de A Teoria do Amor, que tinha um foco bem diverso. Ele adorou a pergunta, desatou a falar sobre as diferentes formas de criar um personagem e emendou com a dele. Fiquei sonhando com a comédia romântica de Fred Schepisi. Princeton, anos 1950. Meg Ryan, sobrinha de Einstein, sonha com uma carreira na ciência, o que não era muito frequente para mulheres, na época – deveriam ser ‘esposas’. Ela namora um cientista chato (Onde andará Stephen Fry) e o tio, como toda a plateia, sabe que não é o homem para a sobrinha. E quem é o cara? Tim Robbins, mas ele é frentista no posto perto de casa. Meg, narizinho empinado, não lhe dá muita atenção. Titio não desanima, percebe que Robbins tem um Q.I. elevado – o filme chama-se I.Q. no original – e despertas nele o desejo de (na verdade, o induz a) fazer uma apresentação num congresso de ciência para que Meg o veja com outros olhos e… Happy end! A Teoria do Amor é um filme meio bobo, mas encantador. Tenho dele uma ótima lembrança, como de outros de Schepisi (Seis Graus de Separação, com o jovem Will Smith). E Walter Matthau, como Einstein, é gênio. O cientista como um lunático, foco que o gênero ‘comédia romântica’ perfeitamente autoriza. É incrível como, a partir daí, viajei nas lembranças. Matthau, Robbins… Peraí, e a Meg Ryan? Fui pesquisar na rede. Há tanto tempo não a vejo. Meg era tão gracinha naquelas comédias todas – Sintonia de Amor, Sintonia de Amor, Sintonia de Amor, com Tom Hanks; Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, de Rob Reiner, com Billy Crystal. E vieram as imagens de Meg pós-botox. Tadinha… Virou a Goldie Hawn de A Morte lhe Cai Bem, mas lá era uma comédia de horror (de Robert Zemeckis), para rir, não uma cara para o resto da vida. Não importa o que os outros nos façam – e olhem que tem gente que se esmera -, nossos maiores inimigos somos nós mesmos. Espero, sinceramente, que a Meg, apesar de tudo, esteja em paz consigo mesma, o que é uma forma de happy end na vida.