As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

E se a gente desse férias ao Hugh Jackman?

Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2015 | 11h16

RIO – Hesitei em manter o título. Mantenho só a procedência, porque é de onde estou escrevendo, mas o post não é sobre o Festival do Rio. Contaram-me no outro dia que somente Alessandro Giannini havia gostado do Peter Pan de Joe Wright. Gosto do diretor, acho Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação dois filmes belíssimos, que não me canso de rever na TV paga – agora não andam passando muito -, sempre à espera dos mesmos momentos pontuais, que me fascinam, e são dois planos-sequências. O baile, no primeiro, e a guerra na praia, no segundo. Senti certo prazer selvagem nas narrativas de que o filme não aconteceu, que foi fracasso nos EUA. Eu tenho meus autores, e me interesso por eles. Do ponto de vista da indústria, Peter Pan veio somar-se a Quarteto Fantástico e Tomorrowland como o trio de fracassos do ano. Posso até ter-me divertido com o Quarteto, mas não está no nível dos outros dois. Gostei de Tomorroland e tenho a maior admiração pelo Brad Bird de Ratatouille e Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma, mas me surpreende como uma visão que tenta ser otimista, sobre o futuro, só desperta desinteresse e até escárnio do público. Baixou o analista de Bagé, Terapia do joelhaço. Afundadas até a m… no pescoço, as pessoas só querem saber de comédia, se o filme é atual, transferindo a hecatombe para o futuro, que, quanto mais sombrio, melhor. Curioso isso, não? Juro que vou morrer sem entender como um filme como o do Ridley Scott, Perdido em Marte, faz tanto sucesso. Do ponto de vista político, é desprezível. O cara ‘coloniza’ Marte, a utopia da união internacional para salvar nosso astronauta é entre EUA e China, as maiores economias do mundo, que, se um dia se unirem, vão dominar a terra e, por isso, Vladimir Putin está tão enlouquecido. Tudo bem, tudo isso pode correr à margem do filme, e esse é o problema. São as únicas novidades de Perdido em Marte. O resto é ‘déja vu’. Pois mesmo assim o público e os ‘críticos’, esses seres bizarros, estão amando. Aborreci-me com Perdido em Marte, com todo aquele detalhamento (pseudo?) científico e com o roteiro ‘lei de Gérson’. Alguém diz que o risco na operação tal é ocorrer isso (ou aquilo) – no minuto seguinte, ocorre. Que saco! Nada no filme me surpreendeu. Inversamente, diverti-me muito com Peter Pan, mas entendo que o filme, que se passa na Terra do Nunca, na verdade fica numa terra de ninguém, mais atraente para adultos (que não perderam a infância, como eu) do que para crianças. Adorei o menino, o par romântico formado por Garret Hedlund e Rooney Mara. Queria muito saber como ele ia virar Capitão Gancho, mas pelo visto vou ficar no desejo, porque a Warner está cancelando a sequência da aventura. Para não dizer que tudo são flores, confesso que o pirata Barba Negra do Hugh Jackman me pareceu um tanto excessivo. Não sei se Jackman precisa de férias ou se eu preciso férias dele. O cara não pára de filmar. Socorro! Menos, por favor.