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E Roger Moore deixou sua marca como 007

Luiz Carlos Merten

23 Maio 2017 | 18h35

Vou ter de fazer uma pausa na cobertura de Cannes. Fiquei emendando filmes. Cannes Classics (dois), Rodin na competição. Foi na sessão desse último, na Salle Debussy, que Flávia Guerra me informou da morte de Roger Moore. Ele foi o mais longevo 007 – sete filmes entre 1973 e 85. E foi o ator mais velho a encarar o papel – tinha 45 anos quando fez Viva e Deixe Morrer e quase 60, quando se despediu com Na Mira dos Assassinos. Moore morreu nas Suíça, aos 89 anos. Durante boa parte da vida, embora mantivesse a fleuma, vivia em tratamento de alguma doença. Pneumonia, teve várias. E sofria de diabetes, teve câncer de próstata, de pele. Moore era muito diferente do James Bond descrito pelo escritor Ian Fleming e os roteiristas criaram para ele um 007 mais humorado. Batia, mas em geral valia-se da astúcia e do arsenal de gadgets à disposição do herói para derrotar os inimigos. Ele próprio dizia que o câncer de próstata e a morte de uma das mulheres e da filha, ambas de câncer, mudaram sua vida. Virou outro homem. Dedicou-se a causas humanitárias, virou embaixador da ONU. Na Inglaterra, virou sir, nada mal para o filho de um modesto policial. Na França, foi feito comendador das artes. Moore começou suia carreira nos EUA, nos anos 1950, nos estúdios da Metro e da Warner. Lembro-me dele num filme terrível, melodrama atroz em que Carroll Baker fazia freira que largava o hábito por amor e a Virgem assumia seu lugar, produzindo-se o ‘milagre’ do título. Katina Paxinou fazia uma matriarca cigana e o filme é contemporâneo de Rocco e Seus Irmãos, a obra-prima de Luchino Visconti. No final, depois de ter sido p…, Carroll retomava o hábito e a Virgem voltava para o altar. Moore fez mais séries de TV que qualquer outro ator de sua geração nos anos 1960 – Ivanhoé, The Alascans, Maverick, O Santo etc. Escreveu três livros sobre sua experiência como 007. E foi, durante anos, considerado um dos homens mais elegantes da Inglaterra. Tenho de admitir que me diverti muito com as estripulias bondianas de Roger Moore.