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E os robôs de George Lucas nasceram… aqui

Luiz Carlos Merten

25 de agosto de 2014 | 09h24

Faz dias que não posto nada. Voltei de Porto Alegre querendo retomar a conversa sobre o Festival de Gramado, mas aí comecei a ver filmes, a fazer textos para o Portal. Antes colocava tudo no blog. Agora divido com o Portal. Ao chegar, encontrei o novo pacote da Versátil. Um dos filmes é A Fortaleza Escondida, Akira Kurosawa, 1957. Era um de seus filmes que desconhecia. É atípico. Uma comédia de aventuras. De cara, tem uma cena com dois atores que não conhecia, ou de que não me lembrava. Eles caminham de um jeito que me lembrou… os robôs de Star Wars. Fui à Bíblia, quando o assunto é Kurosawa. The Emperor and the Wolf. The Lives and films of Akira Kurosawa and Toshiro Mifune. Stuart Galbraith IV. Depois de dois filmes densos, Trono Manchado de Sangue, seu Macbeth, e Ralé, Kurosawa quis fazer um filme 100% entertaining. O roteirista Ryuzo Kikushima lhe falou da fortaleza que ainda existia no distrito de Yamanishi, onde nasceu. O filme começou a nascer a partrir da locação. E no original se chama Kakushi Toride no Sanakunin, ou seja Três homens numa Fortaleza Escondida. Um general (Mifune) proteger princesa cuja vida está ameaçada. Conta com a ajuda de dois samurais fuleiros, que vivem na rua – Minoru Chiaki e Kamatari Fujiwara. Anos mais tarde, o jovem George Lucas viu The Hidden Fortress e, sim, Chiaki e Fujwara foram a base para C3P0 e R2D2. No Japão, A Fortaleza foi o maior sucesso de Kurosawa desde Os Sete Samurais. O público amou, os críticos colocaram o filme em segundo na lista dos dez mais do ano, após A Balada de Narayama, de Keisuke Kinoshita. Mas, nos EUA, a perplexidade foi grande. A mistura de gêneros, a filiação ao western, o humor, nada parecia funcionar – para os críticos norte-americanos -, mas aquele garoto (Lucas) se apaixonou pelo filme. Kurosawa só voltou a fazer tanto sucesso em seu país com o díptico Yojimbo/Sanjuro, também com o lobo Mifune, e eu me surpreendi, relendo Galbraith IV, que o autor considere o segundo melhor que o primeiro. Será? Desde que vi, ainda jovem, Yojimbo no cine Moinhos de Vento, que depois virou Coral – ou é o contrário? -, em Porto, sempre tive a sensação de que aquele era o ‘meu’ Kurosawa. Vejam A Fortaleza Escondida. É uma delícia. 100% entertainment, como o imperador queria. E mais não acrescento porque quero fazer matéria para o impresso, ou para o portal do Estado.

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