As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

E os Kikitos foram para… Pacarrete!

Luiz Carlos Merten

25 de agosto de 2019 | 09h12

PORTO ALEGRE – Cá estou, na casa da Dóris. Volto à tarde para São Paulo e, amanhã, Rio! Não gosto muito de fazer isso, mas pedi à produção o link de Pacarrete e vi ontem o filme de Allan Deberton, que venceu oito Kikitos. Havia chegado a Gramado na quarta, no dia seguinte ao triunfo do longa paraibano. Ouvi o relato dos cinco minutos de aplauso para Marcélia Cartaxo e a Paula Ferraz, que faz a assessoria, ficou buzinando no meu ouvido que havia perdido o melhor filme – os melhores, no plural, incluindo O Homem Cordial, que venceu melhor ator (Paulo Miklos) e Raia 4, prêmio da crítica. Pacarrete venceu melhor filme (do júri ofical e do popular), direção, roteiro, atriz (Marcélia Cartaxo), atriz coadjuvante (Sola Lira, ex-aequo com Carol Castro, de Veneza), ator coadjuvante (João Miguel), desenho de som. Veneza venceu melhor direção de arte e Hebe, a melhor montagem. Achei corajoso o prêmio do júri para 30 Anos Blues, de Andradina Azevedo e Dida Andrade, premiando a dupla que me parece sofrer de um erro de avaliação da crítica – confundem os autores com os personagens. É difícil avaliar a premiação de um festival que não vi inteiro. Pelo menos uma pessoa – confiável – me disse que teria preferido ver vencer o longa brasiliense de Iberê Carvalho, com Paulo Miklos, e do que vi, incluído o Pacarrete, minha conformação dos Kikitos teria sido outra. Gostei muito de Veneza, mas me pergunto se a gôndola poética de Miguel Fallabela terá guarida no público dos cinemas? É um filme tão especial, tão na contracorrente desse Brasil que parece ter regredido um século. Perguntei à produtora de 30 Anos Blues quando pretende lançar o filme e ela me falou algo como no próximo ano. Um ano! Tenho a impressão, que pode ser equivocada, de que nesse período se terá perdido o momentum. Sabe Deus qual será o Brasil do próximo ano? Perdi o grande vencedor da competição latina – El Despertar de las Hormigas -, que Maria do Rosário Caetano me definiu como um pequeno grande filme, mas o chileno Perro Bomba, que amei, venceu os prêmios de direção (Juan Cáceres) e do público. O festival perdeu este ano dois de seus curadores – Rubens Ewald Filho e Eva Piwowarski. Ontem, a organização anunciou que Pedro Bial e Soledad Villamil virão se somar a Marcos Cantuária na nova curadoria. Vamos ver o que esse trio nos promete no ano que vem.

Tendências: