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E os Globos estão chegando

Luiz Carlos Merten

12 de janeiro de 2014 | 21h23

Meu último post anterior foi no aeroporto, embarcando para Los Angeles. Voltei ontem, mas cheguei meio acabado e nem tive ânimo para postar. Cá estou agora na Redação do Estado, assistindo ao Globo de Ouro. Aproveitei os entreatos da minha programação em L.A. – a junket de Jack Ryan: Operação Sombra, do qual gostei bastante -, para me colocar em dia com filmes que estarão concorrendo, daqui a pouco, ao prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood – e, quem sabe, aos Oscars, cujos indicados serão anunciados na quinta-feira, dia 16. É curioso, mas a imprensa norte-americana, o The L.A. Times, voltou a considerar o Golden Globe como vitrine para o Oscar. O jornal também caiu matando na divisão entre drama e comédia ou musical. Meryl Streep concorre a melhor atriz de comédia por Álbum de Família, alguém deve estar brincando conosco. 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, é favorito na categoria drama e já tem lugar cativo nos indicados do prêmio da Academia. 12 Anos, na verdade, é o grande favorito para o Oscar nestes dias que precedem o prêmio, mas dois concorrentes a melhor ‘comédia’ – Trapaça, de David O. Russell, e O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese -, poderão atrapalhar o que promete ser um passeio triunfal. A mídia dos EUA aposta que 12 Anos e Trapaça serão os campeões de indicações, e isso pode ser uma m…, porque, nos últimos anos, os filmes mais indicados para o Oscar são os que menos têm ganhado prêmios. Gostei mais de Trapaça que de O Lado Bom da Vida, mas continuo sem entender o excesso de entusiasmo da crítica norte-americana por O. Russell. Ele não é tudo isso – não é mesmo. Até parecia ser – na época de Quatro Reis. 12 Anos é meu candidato – para o Globo de Ouro, para o Oscar, para tudo. Já faz tempo que ando sem paciência com Scorsese, e não foi O Lobo que reverteu esse quadro. O filme é Os Bons Companheiros do boom econômico, sobre como jovens sem moral nem escrúpulos se entupiram de dinheiro e viveram até o limite o sonho de seus excessos. Scorsese dá um show de mise-en-scène, mas quando o o filme terminou eu pensava comigo – então é isso? Essa cafonália, esse vazio? Leonardo Di Caprio vai ser indicado para o Oscar? Sorry, mas Matthew McConaughey é melhor que ele. Será indicado para melhor ator por Dallas Buyers Club e a melhor coadjuvante por O Lobo? O mais interessante, nessa história toda – do Globo de Ouro -, é que essa gente fica martelando que a criatividade do audiovisual dos EUA está hoje na TV, mas achei bem interessante, e elucidativo, que ninguém, na imprensa norte-americana, pderde tempo falando dos indicados de TV. É como se não existissem. De terça a sexta-feira, enquanto estava  em L.A., o Times dava páginas diárias sobre os indicados de cinema. Robert Redford leva o Globo de melhor ator de drama por All Is Lost? E, neste caso, vai para o Oscar? Está todo mundo alarmado porque parece não haver lugar para ele nos prognósticos para os prêmios da Academia… Estou aqui postando e ouvindo os comentários do red carpet. É de dar vergonha, mas quem sou para atirar a primeira pedra?

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