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E o Triplo X, hein? Reativado…

Luiz Carlos Merten

23 Janeiro 2017 | 00h13

Não sou louco de recomendar Triplo X – Reativado, mas, pensando bem, é o que vou fazer. Diverti-me bastante com o filme de D.J. – as iniciais são de Daniel John – Caruso, estrelado por Vin Diesel. Acho que Caruso tem mais filhos que filmes – cinco. Teceu uma fantasia delirante em que Vin banca o fodão, inclusive fazendo sexo com um monte de mulheres nos primeiros 10 ou 15 min. O próprio Vin admira-se, quero dizer, o personagem, e se auto-ironiza – “O que eu não faço pela pátria”, diz Xander. Antes de ir adiante, uma pausa para tergiversação. Sim, as pessoas vão ao cinema para comer pipoca, pelo menos o público regular. No sábado à tarde, vi, como já disse, Manchester à Beira-Mar. Duas da tarde no Arteplex do Frei Caneca, ninguém – exceto eu – teve tempo de almoçar. Todo mundo, menos eu, carregava seu saco de pipoca com refrigerante para matar a fome. Neste domingo, 18h30, vi Triplo X no Centrão, no PlayArte Marabá. Sala 3-D, todo mundo, de novo menos eu, carregava seu balde de pipoca. Mas vejam como são as coisas. Com a adrenalina -e a barulheira de Triplo X -, nem vi se as pessoas ao redor estavam comendo. Já o Manchester é um filme ‘de arte’, grave e com muitos momentos de silêncio. Queria matar o cara do meu lado. Ele queria comer silenciosamente, sem fazer barulho, mas não dá. Cada pipoca que revirava para tirar do saco fazia mais barulho que o filme. Na cena chave, com o Adagio de Albinoni de fundo, queria morrer. E mesmo assim gostei do filme de Kenneth Lonergan. Pra vocês verem como é bom. Volto a Triplo X. Tenho falado aqui desse discurso reacionário, a la Trump, que acredita, ou tenta fazer crer, que segurança vale mais que liberdade. De cara, Samuel L. Jackson diz que quem acredita que segurança vale mais que liberdade perde as duas. O filme reconfigura a ação. Mocinhos e bandidos, mas quem são os bandidos? Todo mundo é Triplo X, todo o mundo menos o vilão de fato. A tese de Oliver Stone em Snowden – somos todos monitorados por satélite. Acabaram-se a individualidade, a privacidade. O vilão é o Grande Irmão de George Orwell, ou seus representantes. Já era contra isso Controle Absoluto, com Shia Labeouf, que D.J. realizou com produção de Steven Spielberg. Naturalmente que, se o primeiro Triplo X já carregava na adrenalina, o novo carrega mais ainda. Carrega também no humor, porque, se a ‘mensagem’ é válida, e mais que isso, atual, Vin Diesel não se leva a sério e passa o filme rindo de sua persona. Só por curiosidade, fui ler o que os coleguinhas escreveram sobre o filme. Um deles, muito compenetrado, começa seu texto lembrando que Xander morreu no filme anterior e não há uma explicação lógica para sua ‘ressurreição’. Parei na hora. Psicologização, no caso, é burrice, gente. A ressurreição de Xander é explicada pela de… Olha o spoiler. Calo-me. Divirtam-se, mas nego se disserem que recomendei. Afinal, tenho um nome a zelar. Tenho, né? E nem falei do Neymar…