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E o Tonto veio para a coletiva…

Luiz Carlos Merten

19 de junho de 2013 | 21h31

SANTA FE, EUA – Terminou agora há pouco a coletiva de Lone Ranger. Foi a única atividade na promoção do filme em que Johnny Depp esteve presente. Ele não deu entrevistas individuais nem participou de grupos. Não sei bem por que, pois não chego a ter nenhuma antipatia por ele, mas acho Johnny Depp sem graça. O público, no fundo, deve pensar a mesma coisa, pois faz tempo que ele não cria um personagem de homem charmoso e viril. Faz sempre esses personagens meio caricaturais, Jack Sparrow, na série Piratas do Caribe, e agora Tonto. Sua tentativa de mudar esses papeis característicos não deram certo e aquele filme com a Angelina Jolie, O Turista, foi o ó.

Como o ator Armie Hammer foi escolhido para ser o Lone Ranger? “Precisava de um cara bonito e que passasse certas virtudes como retidão, honestidade. Armie tem tudo isso e ainda é um ator supertalentoso. Não foi uma escolha difícil”, disse o diretor Gore Verbinski. E Johnny Depp? “Johnny é diferente. Está conosco desde o começo do projeto, quando começamos a falar do Lone Ranger e ainda estávamos em plena realização da série Piratas do Caribe”, prossegue o diretor. Johnny nunca considerou fazer o Lone Ranger? “Nunca, seu interesse sempre foi por Tonto.”

O próprio ator explica. “Tenho sangue indígena, desde criança ouço que tenho uma porção comanche, ou cherokee, entre meus ancestrais. Mas a grande lição veio de meu mentor, meu ídolo, Marlon Brando. Ele sempre lamentava que a cultura dos brancos representasse os índios de forma caricatural ou ofensiva. Já conhecia o Lone Ranger da série de TV. Adorava o Tonto de Jay Silverheels, mas sempre achei que seria possível fazer algo novo com o personagem. Fazer dele uma representação mais verdadeira dos índios da América`, diz o ator.

Seu desejo cristalizou-se na decisão do diretor Verbinski de contar essa história pelo ângulo de Tonto. Ele está velho, num parque de diversões, quando conta a história para um garoto. Seu olhar é crítico sobre a formação histórica dos EUA. “Não poderia ser diferente”, esclarece Johnny. O produtor Jerry Bruckheimer embarcou na ideia. “Sempre fui louco por westerns. John Ford me revelou uma visão inspiradora do cinema. Assim como Piratas do Caribe renovou os filmes de piratas, que pareciam um filão esgotado, esperamos que Lone Ranger faça o mesmo pelos westerns”, diz o produtor de lendários êxitos. Qual o western preferido de Jerry Bruckheimer? “Não sou capaz de escolher entre os filmes de John Ford”, ele diz. E Johnny Depp? “Meu western preferido é um filme que fiz como ator, mas que nunca vi pronto: Dead Man, de Jim Jarmusch”, ele conta, e não está brincando. “Tenho certeza de que ele fez algo muito criativo.” William Fitchner, que faz o vilão, provoca gargalhadas ao dizer – “Meu western favorito? Sempre fui louco pelo gênero, mas o preferido é Lone Ranger 2.”

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