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E O Poderoso Chefão, olha só, é cria de… Mankiewicz!

Luiz Carlos Merten

24 de maio de 2016 | 11h05

PARIS – Acabo de ver o Mankiewicz, House of Strangers, Sangue do Meu Sangue no Brasil. Um noir que foi refeito como western por Edward Dmytryk, A Lança Partida. Eu a vida inteira fazendo pontes entre O Poderoso Chefão e Rocco e Seus Irmãos, e Francis Ford Coppola, descubro agora – era um Mankiewicz que não conhecia -, praticamente bebeu na fonte de Sangue do Meu Sangue. E o curioso é que nem se trata de um filme de gângsteres. Edward G. Robinson faz um banqueiro. Tem quatro filhos. Três o odeiam, porque não aguentam a preferência do pai por Max, Richard Conte. Ocorre um escândalo financeiro, Max vai preso, no lugar do pai. O velho morre. Chega a hora da vingança. Você espera uma coisa e Mankiewicz propõe outra. Nunca, nem entre admiradores de carteirinha do grande Joseph, ouvi falar de House of Strangers como um de seus grandes filmes, mas é. A família como a casa de estranhos do título. O grande diretor de fotografia Gianni Di Venanzio disse certa vez a Mankiewicz que seu filme era o melhor retrato de uma família italiana feito no cinema dos EUA. O filme inspira-se na figura de Amedeo P. Giannini, fundador do Bank of America, mas na época surgiram rumores de que Mankiewicz, que escreveu o roteiro sem assinar – Philip Yordan leva o crédito -, colocara no relacionamento pai-filhos elementos de uma tragédia ocorrida com o presidente do estúdio (a Fox), Spyros Skouras. Por conta disso, a rodagem e, depois, a edição, foram complicadas, embora nada que se compare aos ‘ennuis’ que o diretor teve com Cleópatra. Estou agora em dúvida quanto ao que ver na sequência. Tanta coisa….