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E o Oscar promete – Clint, Marion, Sissako e Sebastião Salgado

Luiz Carlos Merten

15 Janeiro 2015 | 18h23

RIO – Fechei todos os meus textos para a edição de amanhã do Caderno 2. A capa do Oscar e, lá dentro, o material sobre Invencível, do qual gostei tanto. Vi que Isabela Boscov, na Veja, achou o filme convencional e que André Miranda, no Globo, escreveu que é um conto de fadas babaca. Ambos viram filmes diferentes do meu, e o meu é melhor. Acho que as indicações do Oscar ficaram dentro do que era esperado. Birdman e O Grande Hotel Budapeste lideram, com nove indicações cada, e tem também Boyhood. Mesmo numa lista de oito, e não nove, a Academia mantém-se fiel a Clint, e o xerife, mesmo não sendo indicado para melhor diretor, cravou mais uma candidatura para melhor filme, com American Sniper, que estou louco para ver. Também de American Sniper, Bradley Cooper, outro queridinho da Academia, vai concorrer a melhor ator e Marion Cotillard voltou à disputa de melhor atriz como a Sandra, maravilhosa, de Dois Dias e Uma Noite, o melhor filme dos irmãos Dardenne desde… Sempre? Grande Marion. Fiquei feliz que The Salt of the Earth esteja concorrendo a melhor documentário, e isso dá um gostinho de Brasil no Oscar. Consegui falar com Juliano Ribeiro Salgado em Berlim, onde ele está morando, e o encontrei super feliz, mas de certa forma triste porque, apesar da produção predominantemente francesa (e um pouquinho italiana), tentou fazer com que o filme fosse também brasileiro (pelo pai, Sebastião Salgado, por ter filmado no Brasil e por ele, que codirigiu com Wim Wenders), mas trombou com a burocracia e o que era possível foi sendo dificultado até virar impossível. Gosto muito quando Juliano fala no pai dele como Tião e diz que, graças ao Oscar, mais gente vai compartilhar o trabalho dele (Sebastião) e é um trabalho fundamental. Salt of the Earth não retrata só o fotógrafo – grande, por mais que seja contestado -, mas também o ambientalista, e esse só merece aplausos por haver transformado uma área devastada do interior do País em santuário ecológico. E, enquanto isso, a Argentina conseguiu mais uma vez e Relatos Selvagens está entre os cinco finalistas para melhor filme estrangeiro, com Ida, Leviathan e Timbuktu, de Abderrahmane Sissako, da Mauritânia, que amo. Que o Oscar lance luzes sobre esse que também é um grande diretor africano, e no filme reflete sobre os perigos do avanço islâmico na África. Dando sequência ao título, o Oscar promete e, mesmo que todos esses artistas que venero não ganhem, a simples indicação já vai lhes dar exposição. Estou acabando aqui na sucursal. Nesse arremedo de férias que estou tendo no Rio, mais no jornal que em qualquer atividade de lazer, espero ter hoje uma noite de gala. Vamos – Dib Carneiro está aqui – ver o show de Maria Bethânia.