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E o lucro foi grande…

Luiz Carlos Merten

04 de junho de 2015 | 18h04

PARIS – Havia deixado um, três pontinhos num post anterior. Foi em Estão faltando horas…, quando disse que tinha visto em Roma um filme que estourou em Cannes. Louisiana integrou a seleção oficial, na mostra Um Certain Regard. O diretor é italiano, Roberto Minervini, há cerca de uma década instalado/radicado nos EUA. Para quem acredita da ‘América’ como terra da abundância, o filme de Minervini pode ter o efeito de um choque realidade. Drogados, paramilitares, veteranos de guerra, homeless – Minervini põe na tela os norte-americanos que vivem abaixo da linha de pobreza, um horror, mas o filme é bom. Há dias os três pontriunmhosz me atormentavam. Precisava corrigir. Acabo de fazê-lo, mas me parece desonesto com o leitor, por isso dou conta das correção que fiz. Havia dito, no post anterior, que minha prioridade em Paris era ver Alemanhja Ano Zero. O que viesse depois do filme de Roberto Rossellini, ou seja, o que conseguisse ver, seria lucro. E foi. De tanto ouvir elogios da imprensa francesa a Casa Grande, de Fellipe Barbosa, meu melhor filme brasileiro do ano, resolvi vê-lo, já que estreou, com uma plateia local. Foi muito interessante. Entenderam tudo. Riram nas partes adequadas e ainda saíram fazendo comentários, sinal de que o filme pegou. Dedico a sessão ao gênio da concorrência que disse que, como filme, era sociologia barata. Vê de novo, criatura. Abra os olhos – todos. Vai valer a pena. Mas meu dia ainda teve mais. Fiquei indeciso entre rever O Exército das Sombras, de Jean-Pierre Melville, na retrospectiva do diretor, ou ver Walkabout, de Nicolas Roeg, de volta em cópia nova, restaurada. Conheço razoavelmente o cinema do diretor, mas nunca havia visto esse filme, que possui a fama de ser seu melhor. E é. Já tinha ouvido que era um dos melhores e mais estranhos filmes dos anos 1970. A viagem iniciática de um casal de irmãos com um jovem aborígene através do deserto. Roeg, ex-diretor de fotografia, cria imagens belíssimas, mas, no limite, o que fascina é a experiência visceral. Em 1970, na ressaca do pós-Maio (de 1968) e com os EUA já atolados no Vietnã, Roeg foi à Austrália para fazer dessa iniciação ritual um (re)começo – para o cinema e para seus personagens. Gostei bastante.