E o Kleber, hein?
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E o Kleber, hein?

Luiz Carlos Merten

05 de fevereiro de 2014 | 14h08

BERLIM – Cheguei, e no aeroporto já encontrei Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, que me disse que Alain Resnais, muito velhinho, não vira apresentar seu novo longa, Amar, Beber, Cantar. Será representado por seu elenco cativo – Sabine Azema, Pierre Arditi, Lambert Wilson. Cheguei ao meio-dia local e o céu estava azul, sem nuvens, sol no alto. Fiz meu credenciamento, almocei, dei uma geral por aqui e afgora, de volta ao hotel, vejo a tarde já começa a cair, e são apenas 16h30. Daqui a pouco será noite. Não achei tão frio, mas, de qualquer maneira, passar de 37 graus, como estava ontem em São Paulo, para 3 – e a temperatura deve cair depois do por do sol -, exige resistência. Espero não repertior o sufoco do ano passado, quando precisei de atendimento médico de emergência. Encontrei José Carlos Avellar e o nosso assunto foi morte trágica de Eduardo Coutinho. Avellar me disse que o retorno de Coutinho aso Cabra, seu novo filme com Elizabeth Teixeira e suas família, está pronto. Depois desse, Coutinho fez mais um, de entrevistas com jovens, que começou a montar, mas não chegou a concluir. Mudando de assunto, pode ser um bom sinal – espero! A caminho do credenciamento, ao entrar na rua que leva diretamente ao Palast, qual foi o primeiro outdoor que vi? O de A Praia do Futuro, de Karim Ainouz, o concorrente brasileiro à Palma de Ouro. No avião, sentei-me entre dois franceses que, aplicadamente, preenchiam planilhas com o logo da Berlinale. Não creio que fossem jornalistas. O cara à minha direita puxou assunto com um brasileiro sentado do outro lado do corredor, que se identificou como produtor. Falou no nome da produtora, mas não ouvi. Só disse que era uma empresa familiar – o pai, o avô o precederam. O francês, para ser simpático, falou no meu amigo (dele) Karim Ainouz. O brasileiro disse que não conhecia, mas não no sentido de que não é seu amigo. Nunca tinha ouvido falar. Ai, meu Deus. Em Paris, no aeroporto Charles De Gaulle comprei as revistas de cinema que consegui encontrar – Cahiers, Première, Studio. O tempo passa e e Cahiers segue sendo a Bíblia do cinema de autor. A revista, pelo visto, detestou Ninfomaníaca, 0 2. A chamada de capa da revista é ‘Le mauvais sprit de Lars Von Trier’. Lá dentro, ganha destaque a reedição, em cópia nova, de Lilith, último filme de Robert Rossen, com o jovem Warren Beatty e Jean Seberg. O autor da crítica, Florent Guézengar, diz que se trata de uma obra-prima sobre a sede absoluta do desejo. Jean Seberg faz uma ninfomaníaca e Florent – resumo que seja homem; mulher seja Florence – aproveita para cair matando na dernière vacherie de Lars. Berlim vai mostrar a versão do diretor de Ninfomaníaca 1 e 2. Cahiers pode triunfar quanto quiser. Tenho certeza de que será, mesmo fora de concurso, um dos eventos da Berlinale de 2014. Cahiers dedica oito páginas, entre fotos e textos, a Lilith, mais seis a Yasujiro Ozu, tomando como gancho a grande exposição que o National Film Center de Tóquio dedica ao grande autor. Chama-se IconOzu, e decifra a iconografia de Ozu, incluindo fotos e desenhos que ele próprio fazia para certos planos emblemáticos de seus clássicos. Mas o grande destaque da edição é a revisão da vida e obra de André Bazin. São 18 páginas, abordando paradoxos e contradições do crítico e seu legado através do mundo. Vão se surpreender se Cahiers, buscando os herdeiros de Bazin, vai à China de Jia Zang-ke? Muito interessante. Deixo para o final a informação – em Cahier Critique, analisando os lançamentos de fevereiro em Paris, a revista dedica três páginas – duas com entrevista – a Kleber Mendonça Filho e O Som ao Redor., rebatizado como Les Bruits de Recife Apesar de algumas ressalvas, Joachim Lepastier saúda ‘a singularidade desse primeiro filme surpreendente’. Comparativamente, Trapaça e Clube de Compras Dallas merecem uma coluna (o primeiro) e meia-coluna (o segundo). São filmes de Oscar, e a Academia, vale lembrar, não deixou O Som ao Redor nem entre os nove finalistas, dos quais tirou os cinco indicados. Enfim, para que falar de Osacar? O tempo é de Berlinale, e o festival decola amanhã com a comédia de Wes Anderson, Grand Budapeste Hotel. Só para fechar o post, volto ao Kleber (que lhe dá título). No final da entrevista, Lepastier pergunta a Kleber sobre seus próximos projetos. Ele diz que tem três e o terceiro é com Mark Peploe, roteirista de O Passageiro – Profissão Repórter e O Último Imperador. Trata-se nada menos de um roteiro de Michelangelo Antonioni dos anos 1970, que os dois estão adaptando. Kleber acrescenta que o filme já existe na cabeça dele, mas está longe de se concretizar. De minha parte, já torço para isso venha a acontecer.

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