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E o Kikito… (3)

Luiz Carlos Merten

07 Agosto 2015 | 18h45

GRAMADO – Celso Sabadin diria que eu quero causar, sendo do contra. Só vejo gente falando mal de Quarteto Fantástico, e juro que não entendo, porque o filme é bom demais da conta. Vinha conversando com Rodrigo Fonseca, no ônibus do festival para Gramado – até a crítica ao visual do filme é despropositada, porque não tem tanto a ver com redução orçamentária (a produção de US$ 120 milhões é pouco mais que a metade dos US$ 200 milhões que anda custando qualquer blockbuster baseado em HQs), mas corresponde a um desejo do diretor Josh Trank de retomar o visual dos comics, quando o Quarteto surgiu, no começo dos anos 1960, como a primeira ‘família’ da Marvel. Juro que cheguei a chorar vendo Quarteto Fantástico, e a ideia da música para definir um padrão me pareceu genial,. na medida em que remete a Whiplash, que deu projeção a Miles Teller, que faz Ben, o líder do grupo. Mas talvez eu esteja mesmo querendo causar. Tanto quanto gostei da família Quarteto, desgostei da família de Party Girl. Gosto dessas novas concepções em filmes de Pedro Almodóvar, mas o diretor, cujo nome esqueci, que filma mamãe e celebra que ela, mesmo centenária (quase) não queira deixar de ser puta é um pouco demais para o meu gosto. A cena realista do filme é quando mamãe acha que está abafando com o bofe e descobre que, na verdade, ele é michê e quer dinheiro, o que a descontrola, mas é o que ela fez a vida toda com os homens, mesmo unindo negócio, na medida em que gosta da coisa, e prazer. Confesso que, para o meu gosto, Irina Palm é melhor. Lá, outra vovó, Marianne Faithful, vira masturbadora profissional, a melhor do ramo, em nome da família tradicional. Fazendo todos aqueles homens gozar, ela reúne o dinheiro para pagar a cirurgia do neto. E a maneira como Marianne/Irina cria seu espaço e dispõe objetos, cremes, tudo ao redor do buraco em que os caras colocam o membro… Aquilo era maravilhoso, mas não lembro que Irina Palm tenha feito a sensação de Party Girl. Luiz Zanin adorou o filme. De minha parte, estou nos cascos por um gostei/não gostei.