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E o Kikito…? (16)

Luiz Carlos Merten

16 Agosto 2015 | 00h33

Já havia encerrado os posts com procedencia de Gramado, mas foi precipitado. Vamos a premiacao do 43.o Festival de Cinema Brasileiro e Latino. Estou aqui tentando entender porque, entre sete bons e até grandes filmes possíveis, o júri premiou o mais fraco, o único que eu descartaria, mesmo nao sendo ruim, entre os longas da competicao latina. Mas aí, ao descobrir que a critica também premiou La Salada, de Juan Martín Hsu, minha vontade é de cortar os pulsos. No caso do júri oficial, queria acreditar que a escolha pode ter sido determinada por divisoes internas, que levaram a um solucao de compromisso. Mas o premio da critica, me desculpem, é mediocridade mesmo. Havia coisas muito melhores, mais ousadas, e apontar caminhos é o que se espera da crítica, nao? Premiar o roteiro de En la Estancia, por mais que goste do filme mexicano de Carlos Armella, foi outra loucura do juri – comparavel ao mesmo premio atribuído pelo juri de Berlim, em fevereiro, ao documentario chileno El Botón de Nazcar, de Patricio Guzmán. Adorei o premio coletivo para as atrizes de Venecia e o de melhor diretor para o cubano Kiki Alvarez, pelo mesmo filme, mas o júri ter ignorado o ator colombiano Humberto Arango, de Ella, foi um pouco demais para mim. Ganhou o mexicano Gilberto Barraza, que nao é ruim, mas é uma questao de hierarquia. Deveria, se o júri tivesse feito a coisa certa, vencido o melhor. Nao foi o caso, e nao apenas na categoria `filme`. Na competicao brasileira, Ausencia, de Chico Teixeira, levou os Kikitos de filme e direcao. Gosto de Chico, e do filme dele, mas nao torcia por Ausencia, que nem acho o melhor do diretor. Gostei dos premios de ator e atriz coadjuvante para O Último Cine Drive-in. Breno Nina sempre foi meu candidato e Fernanda Rocha foi uma bela escolha. Quanto aos demais premios, valho-me de Shakespeare. O resto é silencio. E boa noite. Amanha, prometo voltar ao assunto. Agora, estou cansado. E desapontado.