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E o Kikito…? (13)

Luiz Carlos Merten

15 Agosto 2015 | 09h42

GRAMADO – E o 43.º Festival de Cinema chegou ao fim. Ainda temos de passar pelo encerramento, logo mais à noite, mas as mostras competitivas encerram-se ontem. Espero, sinceramente, que os júris, no plural, consigam resolver possíveis impasses para que não tenhamos os equívocos de anos anteriores, quando divisões internas dos grupos favoreceram concorrentes menos qualificados – ia escrever desqualificados, mas não quero ofender. Tive ontem um dia cheio e não pude postar. Muitos debates, e eu não queria perder nenhum. Matérias, também – para sábado e domingo no jornal, para o portal. E ainda a coletiva de Fernando ‘Pino’ Solanas no final da tarde, os filmes. Não queria perder nada. Talvez tenha sido melhor assim. Havia escrito que Haram, de Max Guggino, era o melhor curta do festival, mesmo levantando a possibilidade de que, nas duas últimas noites, na quinta e sexta, pudessem surgir concorrentes tão bons e até superiores. Continuo gostando muito de Haram, e gostaria de ver o filme de alguma forma premiado, mas surgiu o tal outro. Não, não foi o curta gaúcho O Corpo, de Lucas Cassoles, que flerta com o gênero (fantástico, terror) de uma maneira que não me motivou. Aliás, no debate desabafei. Acho que, por mais que ame os grandes westerns e as grandes fantasias de terror – os primeiros, mais ainda -, as incursões brasileiras recentes pelos ‘gêneros’, ou pelo gênero, porque só tem um, me deixam nel suelo. Putas filmes ruins, credo. Também havia dito que dificilmente surgiria um ator melhor do que Matheus Nachtergaele em Quando Parei de Me Preocupar com Canalhas, de Tiago Vieira. Enganei-me duplamente. Na última noite veio Dá Licença de Contar, de Pedro Serrano, e eu surtei. Nos debates pela manhã, Eucyr de Souza disse que ator de verdade não se prende ao formato e quem tem um bom projeto não deve se vexar de tentar um grande nome num filme pequeno (na duração). Alguém na mesa foi ainda mais longe. Se o diretor acha que o ator tem de ser Tom Cruise, que tente. O máximo que vai ouvir é não. Calderón de La Barca, A Vida é Sonho. Senti uma exaltação vendo Dá Licença de Contar. A euforia de narrar, de interpretar. As canções de Adoniran Barbosa (Saudosa Maloca, Iracema) feitas imagens, e filmes. Se o senhor não está lembrado… Só gostaria que dá licença de contar tivesse virado ‘da’ licença de contar, sem acento, porque é disso que trata esse filme maravilhoso. E permitam-me confessar. Posso andar sempre na contramão, mas gosto de Paulo Miklos quando os outros não gostam tanto. Em É Proibido Fumar mais que em O Invasor, em Dá Licença de Contar mais que nos Canalhas, que é de Matheus. O Adoniran de Paulo Miklos no filme de Paulo Serrano é um sonho de cinema, mas Gero Camilo e Gustavo Machado, como Mato Grosso e o Joca, conseguem ser ainda, e nem sei como, melhores. Bye-bye, Matheus. Ave, Mato Grosso. E o Joca. Sempre quis ver Gustavo Machado nesse registro de putanheiro, de canalha, e ainda bem que Paulo Serrano realizou esse meu desejo. O cara é bom pra c… Houve um redesenho da competição de curtas Da premiação, também. Estou muito curioso para ver como, ou o quê, os júris de curtas (do festival, do Canal Brasil) vão premiar hoje à noite. O post está longo. Vou quebrar aqui.