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E o gato, hein?

Luiz Carlos Merten

27 de fevereiro de 2014 | 23h20

Ontem pela manhã, estava em casa quando a pauteira do Caderno 2, Eliana Souza, me informou da morte de Paco de Lucía. Imediatamente escrevi um texto que foi para o Estado online e depois foi reaproveitado no impresso. Por conta disso, e até porque tinha 1001 textos, não fiz nenhum registro no blog. Mas quero deixar registrado que certas mortes – de intelectuais, artistas – me produzem, que palavra usar, desconforto?, mas outras me produzem um sobressalto, como se a pessoa fosse um ente próximo e querido. Foi assim com Paco, filho de Lucía. Viajei nas lembranças – Carmem, O Concerto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo, e Malagueña Salerosa, de Chingon, em Kill Bill, de Quentin  Tarantino. A manhã, que começara depressiva, virou uma noite feliz – jantei com meus amigos Dib Carneiro, Leila Reis e Fátima Cardeal no Mestiço. A amizade é uma coisa maravilhosa. O amor é mais radical – tende a ser tudo ou nada. Quando termina – só é eterno enquanto dura, como dizia Vinicius -, muitas vezes vira ressentimento, mágoa. Quantas pessoas não querem matar, ou morrer? Muitas amizades também vão para o brejo, mas as que resistem, essas são eternas, e sem prazo de validade. Tenho muitas saudades de alguns amigos – Tuio Becker, Sérgio Moita. Chega – vi hoje uma comédia croata, Os Filhos do Padre, que virou o maior sucesso da história do cinema no país. Hollywood comprou os direitos e vai fazer uma versão com  Sacha Baron Cohen. Um padre chega a uma cidadezinha em que a taxa de mortes é superior à de nascimentos. Ele descobre que o motivo é a camisinha e bola plano – com a conivência do dono do quiosque, fura as camisinhas para que os espermatozoides, vencendo dificuldades, cheguem lá. O filme começa assim, e é bem divertido, mas, de repente, o tom fica mais grave e o assunto vira outro – pedofilia na Igreja, a inviolabilidade da confissão etc. Adorei. Agora, neste fim de noite, e já que digitei ‘Cohen’, não posso deixar de pensar nos irmãos, Joel. e Ethan. No fim de semana, quando fui rever Clube de Compras Dallas, as filas eram para ver Inside Llewyn Davis, que já estava lotado. Um típico filme dos Coen, que trata como burro quem se acha inteligente. Só como curiosidade, pesquisei na internet e li algumas resenhas. Muitos elogios, mas não encontrei nada relevante sobre o episódio do gato, que o próprio Ethan -ou terá sido Joel? – disse no ano passado, em Cannes, que era a coisa mais importante do filme. É – a mais importante -, mas quanta gente percebe? Pois deveriam (perceber).

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