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Berlim (1)/E o festival começa com música e, claro!, engajamento político

Luiz Carlos Merten

09 de fevereiro de 2017 | 15h14

BERLIM – Começou! A 67.ª Berlinale começou nesta manhã com a coletiva do júri, seguida da sessão de imprensa deo filme de abertura, o francês Django, de Etienne Comer. Almocei com Elaine Guerini e Orlando Margarido. Conversamos sobre o significado de se ter um filme como esse, que não é grande, na abertura. O diretor oferece um recorte de dois anos, entre 1943 e 45, da vida de Django Reinhardt. Na abertura do filme, ele já é uma lenda do jazz, adulado até pelos nazistas, mas Django é ‘rom’ e os ciganos estão sendo caçados e mortos pelo Reich. Nestes dois anos, o guitarrista e compositor vai se engajar na resistência e terminará compondo seu réquiem paras os roms mortos na guerra. O filme tem cenas ótimas, Reda Kateb vive o personagem com intensidade, Cecile de France é a maravilha de sempre, a trilha é um deleite. É bom ver Django, mesmo que o filme não seja tão bom assim. Mas é preciso compreender os motivos de herr Dieter Kosslick, que dirige a Berlinale e assina a seleção oficial. Sua agenda é clara – prioridade aos imigrantes, uma crítica feroz ao direitismo que campeia no mundo. Agora mesmo, na França, François Fillon e a mulher que mamava nas tetas do Estado, regiamente paga só por ter esse marido, minimizam a corrupção (chama o Moro) e tentam se apresentar como o casal incontornável da direita, com um discurso cara-dura de conservadorismo. No filme de Etienne Comar, os franceses colaboracionistas conseguem ser piores que os nazistas, e o objetivo é mesmo esse. O filme passa-se no triênio 1943-45, mas na verdade o subtexto refere-se ao estado do mundo em 2017. Na coletiva do júri, o presidente Paul Verhoeven já passou um recado. Reconhece a importância política do festival, mas destacou que, para ser eficazmente político, um filme tem de ser, acima de tudo, bom como cinema. Contou como e por que fez Elle na França. Ele apresentou o projeto nos EUA e o único estúdio que se interessou impôs uma condição – apresentou ao diretor uma lista de sete estrelas ‘bancáveis’, que poderiam fazer um estouro de bilheteria no papel. Todas recusaram. Verhoeven apresentou o projeto na França a Said ben Saib, o mesmo produtor internacional de Aquarius, e ele topou de cara. Para completar, Isabelle Huppert praticamente se ofereceu para fazer a personagem, como fã que era do livro de Philippe Djan. Também no júri, o mexicano Diego Luna foi cobrado a tomar posição contra Donald Trump, com seu projeto de muro na fronteira entre EUA e México. Diego, que está ótimo em Rogue One, disse que veio ao lugar certo para se falar de muros, mas, de sua sua parte, prefere derrubá-los – é o tema da história de Star Wars -, fazendo uma arte de entendimento. Agora, chega. Daqui a pouco vou ver T2 Trainspotting, sobre o qwusal espero escrever ainda hoje para vocês.

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