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E o cinema brasileiro descobre… a gastronomia!

Luiz Carlos Merten

10 Julho 2016 | 09h47

Fui ao Rio na sexta para visitar o set de Duas de Mim. O longa é o primeiro estrelado por Thalita Carauta, até aqui especializada em roubar a cena das protagonistas das comédia de que participa, o e também o primeiro filme de Cininha de Palma, com vasta experiências de TV. A gente sempre fala no timing do humor. Cininha me deu uma aula sobre o assunto. O humorista não pode antecipar nem retardar a pisada, sob pena de destrui-la. A coisa funciona num metrômano – um, dois, três até dez, eventualmente um, dois, três, e para atingir o ritmo os atores têm de estar muito atentos. Duas de Mim é sobre uma mulher suburbana que trabalha num restaurante e sonha ser chef. Correndo contra o tempo, ela encontra uma fada madrinha que lhe permite tirar uma cópia de si mesma. Temos duas Thalitas contracenando, o que significa que, em linguagem de showbiz, ela faz escada para si mesma. E é claro que, para que isso ocorra o filme tem os efeitos de duplicação. Duas de Mim estreia no primeiro semestre de 2017 e, antes disso, a produtora Iafa Britz coloca nas telas, em 29 de dezembro, o novo Paulo Gustavo, Minha Mãe É Uma Peça 2. Iara tem uma extensa atividade na TV e uma de suas produções, As Canalhas, foi adquirida pela TV dos EUA. Vai virar Bitches, sob a direção de John Turturro. Quer dizer que o Brasil está exportando teledramaturgia? Uau! Na sexta, em Duas de Mim, estava sendo gravada a cena em que Thalita participa de um reality de gastronomia, Gran Gourmet. A democratização da cozinha – concorre com a dona do restaurante em que é funcionárioa. Três chefs compunham a comissão julgadora. Conversei com dois – Claude Troisgros e André Mifano. A conversa foi bem interessante, uma, porque Claude ama Ratatouille (a animação), como eu – André fez muxoxo -, e dois porque ele refletiu sobre a gastronomia como ‘moda’. E estamos atrasados. Na França, esse boom ocorreu há 20 anos, nos EUA, há 15. Para ele, gastronomia é arte, para André é artesanato. Só concordam que é cultura. Claude contou como seu pai, chef na França, viveu sempre pressionado para primeiro conquistar e, depois, manter as estrelas Michelin. Isso faz parte da vida dele desde garoto. André acha que viver correndo atrás dessas estrelas compromete. O importante é ser livre e independente para descobrir e aprimorar ingredientes e combinações, e é disso que ambos gostam. No final, é sempre a mesma coisa. Cinema, gastronomia. Cri-ar.